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Renato Maurício Prado

Ceni joga tudo contra a banca. E ganha. Mas a roleta do título ainda gira

Jogadores do Flamengo comemoram gol marcado contra o Palmeiras em jogo do Brasileirão - Andre Borges/AGIF
Jogadores do Flamengo comemoram gol marcado contra o Palmeiras em jogo do Brasileirão Imagem: Andre Borges/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

22/01/2021 04h00

A aposta era ousada, do tipo tudo contra a banca. Se perdesse, com o sempre contestado Wiliam Arão improvisado na zaga, o destino de Rogério Ceni estaria selado. Dificilmente seria mantido, com o Flamengo fora da briga pelo título, após uma derrota numa partida em que cometeu tamanha ousadia. Mas sua ideia deu certo.

Com Arão recuado, Ceni montou um meio-campo rubro-negro extremamente talentoso com Gerson, Diego, Arrascaeta e Éverton Ribeiro e assim, beneficiado pelo excelente gramado do Mané Garrincha, neutralizou o bem-sucedido Palmeiras, finalista da Copa do Brasil e da Libertadores e que ainda sonhava também com o Brasileirão.

Foi uma exibição de gala, a nível do inesquecível campeão brasileiro e da Libertadores de Jorge Jesus? Nem de longe. Mas, com certeza, viu-se no Mané Garrincha a melhor atuação do Flamengo sob o comando de Ceni. A primeira vitória contra um dos seis primeiros colocados na tabela e que, como ele, dependia dos três pontos para seguir na luta. Se tiver um mínimo de juízo, o português Abel Ferreira abandonará o Brasileiro, para focar na disputa da Libertadores, eventualmente do Mundial, e da Copa do Brasil.

Nem tudo, entretanto, foram boas notícias para o Fla, na importantíssima (e merecida) vitória sobre o Palmeiras. A contusão de Rodrigo Caio (sentiu uma fisgada no músculo adutor da coxa direita) obrigará a zaga a atuar, nos próximos jogos, com o improvisado William Arão e o irregular Gustavo Henrique. Contra o Palmeiras, justiça seja feita, a dupla não comprometeu. O que não é garantia que se mostrará segura na reta final do campeonato. Mas é o que Ceni tem nas mãos, já que parece ter desistido de Natan.

Bruno Henrique levou o terceiro cartão amarelo e desfalcará o time contra o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada. Mais um jogo em que o Flamengo precisará dos três pontos se quiser continuar sonhando com o título. Temo que Ceni optará pelo sempre imprevisível Vitinho (substituição mais óbvia), mas como inovou, no recuo de Arão, quem sabe não decide também por uma solução não ortodoxa, deslocando Éverton Ribeiro para a esquerda (ele é canhoto) e, enfim, escalando juntos, desde o início, Pedro e Gabigol?

Com a vitória sobre o Palmeiras, o Flamengo depende apenas de seus resultados para chegar ao octacampeonato, mas precisará de uma campanha perfeita, nos nove jogos que lhe restam. Quanto ao Palmeiras, é evidente que o desgaste físico já cobra seu preço. Faltam apenas oito dias para a grande final da Libertadores, o título mais importante do continente. Se Abel não poupar os titulares nesse período, será louco. Para a sua equipe, o Brasileirão já era.

Renato Maurício Prado