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Palmeiras e Luxa. Mais do mesmo

Vanderlei Luxemburgo e Denilson, em 2008, no Palmeiras - Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Vanderlei Luxemburgo e Denilson, em 2008, no Palmeiras Imagem: Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

16/12/2019 12h00

O Palmeiras rodou, rodou, rodou e continuou no mesmo lugar. Depois de sonhar com Jorge Sampaoli e uma revolução tática, acabou acertando com Vanderlei Luxemburgo, treinador da escola de Luís Felipe Scolari e Mano Menezes, seus antecessores. Pode dar certo? Até pode. Mas que o torcedor palmeirense não espere grandes novidades. Luxemburgo já foi um inovador e um grande campeão. Hoje é mais do mesmo.

Até aceitar o convite do Vasco, em maio deste ano, Vanderlei era um treinador vivendo praticamente no ostracismo, sem convites dos grandes clubes desde 2015, quando foi demitido do Cruzeiro e acabou se transferindo para o futebol chinês, onde tampouco teve sucesso. De lá pra cá, teve rápida passagem pelo Sport (2017), onde ganhou o título estadual.

Conquistas regionais são, aliás, as únicas que se somaram ao seu vitorioso currículo nos últimos 15 anos. Os cinco Brasileiros que venceu foram em 1993 e 1994 (Palmeiras), 1998 (Corinthians), 2003 (Cruzeiro) e 2004 (Santos). Faz tempo. Muito tempo.

Tempo, aliás, no qual, ele garante, já fazia tudo o que se viu de novo agora com os Jorges, Jesus e Sampaoli. Não é bem assim, embora, justiça seja feita, seus grandes times jogassem também um futebol ofensivo e insinuante. Mas de lá pra cá...

Alguns de seus últimos trabalhos limitaram-se a ajudar os clubes que os contrataram a fugir do rebaixamento - casos do Flamengo, em 2010, o Fluminense, em 2013, e o Vasco, este ano.

Essa sua última missão, aliás, acabou sendo supervalorizada muito por conta de um jogo épico com o Flamengo - o elétrico empate em 4 a 4. Quando, entretanto, analisa-se com um pouco mais de calma o que o treinador conseguiu com a equipe cruz-maltina, como bem fez Mauro César, há alguns dias, vê-se que o "brilho" não foi tão intenso assim.

À frente de uma equipe que tinha a décima folha salarial do campeonato (ao menos nos contratos de carteira assinada), acabou na décima-segunda colocação com apenas 47% de aproveitamento. Isso é brilhante?

Uma coisa, porém, é importante ressaltar nesta quinta passagem de Luxemburgo no Palmeiras. Motivação, certamente, não faltará ao técnico. Ele, enfim, retorna a um clube com alto poder aquisitivo, que poderá lhe colocar nas mãos um elenco capaz de lutar, de fato, pelos principais títulos da temporada. É tudo que ele sonhava para poder comprovar, na prática, a sua teoria de que segue sendo um dos melhores treinadores do país.

Se vai dar certo, só o tempo dirá. Certo é que o próximo Palmeiras x Flamengo promete. Tudo que Luxemburgo quer é mostrar que, com um time parelho, pode derrotar o Mister.

Façam suas apostas.

Renato Maurício Prado