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Renato Maurício Prado: Jesus batiza Renato na Arena

Jorge Jesus, técnico do Flamengo - Jeferson Guareze/AGIF
Jorge Jesus, técnico do Flamengo Imagem: Jeferson Guareze/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

03/10/2019 00h47

Jorge Jesus engoliu Renato Gaúcho, no primeiro jogo da semifinal da Libertadores, em plena Arena Olímpica. O placar final de 1 a 1 é infiel ao que Flamengo e Grêmio produziram em campo. Mas assim é o futebol e muito de sua magia vem exatamente disso. O velho e violento esporte bretão não prima pela justiça. Basta lembrarmos 1982...

Falar na seleção de Telê Santana, naquela Copa, remete obrigatoriamente ao futebol-arte, vistoso e bem jogado. Algo que, ao menos na teoria, os dois semifinalistas brasileiros desta Libertadores esbanjavam até então. Mas no primeiro confronto entre eles, nesta semifinal, só o rubro-negro fez jus à fama.

O tricolor gaúcho, ao contrário, limitou-se a usar e abusar dos pontapés. A não ser por um breve momento, já na metade do segundo tempo, foi amplamente dominado e pode-se dizer, "achou" o gol de empate, no finalzinho, quando parecia mais próximo até de sofrer o segundo gol - que praticamente selaria a sua sorte.

O desequilíbrio mais impressionante nessa parte inicial do duelo aconteceu na primeira etapa, quando o Flamengo parecia estar jogando no Maracanã, tamanho o domínio do gramado e o número de oportunidades criadas. Duas delas acabaram com a bola no fundo da rede, mas ambas foram anuladas pelo VAR: o primeiro por um empurrão de Gabigol, em lance fora da jogada principal, e o segundo por impedimento milimétrico do artilheiro.

Nesses 45 minutos, o esquema tático do técnico português suplantou por completo a armação de Renato, que acabou vendo o seu time encurralado em seu próprio campo e forçado a apelar para a violência para tentar parar o adversário que lhe era nitidamente superior.

Após o intervalo, Renato conseguiu fazer o Grêmio avançar um pouco mais, chegando a obrigar o goleiro rubro-negro Diego Alves a fazer duas grandes defesas, mas mesmo assim acabou sofrendo o gol de Bruno Henrique, ao final de mais uma jogada em que o Flamengo colocou o adversário na roda, até Arrascaeta acertar o cruzamento certeiro para a cabeçada certeira que abriu o placar.

Daí, até o final, foi o rubro-negro quem esteve sempre mais perto de marcar (com Gabigol, que teve mais um gol anulado, e Bruno Henrique), mas numa escapada, no finalzinho, em lance que começou com Filipe Luís caído no ataque, o Grêmio conseguiu o empate - resultado que àquela altura do campeonato e diante do que se vira na partida, teve sabor de vitória.

Mas o que ficou mesmo da primeira partida da semifinal foi uma aula de Jesus sobre Renato. E uma evidente superioridade técnica do Flamengo sobre o Grêmio. O que não quer dizer que a vaga na final esteja garantida para os rubro-negros cariocas. Até porque, como se diz num dos muitos chavões do futebol, cada jogo é um jogo, cada jogo é uma história e muita coisa pode mudar, nos próximos 20 dias. Por exemplo, Geromel e outros titulares devem voltar no Grêmio e Gerson e Filipe Luís talvez não possam jogar no Flamengo. O confronto segue aberto.

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