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Renato Maurício Prado


Renato Maurício Prado - Jesus, Sampaoli e... Tiago

Tiago Nunes, tecnico do Athletico-PR, durante partida contra o Sao Paulo pelo Campeonato Brasileiro - Gabriel Machado/AGIF
Tiago Nunes, tecnico do Athletico-PR, durante partida contra o Sao Paulo pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Gabriel Machado/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

09/09/2019 04h00

O português Jorge Jesus e o argentino Jorge Sampaoli, badaladíssimos treinadores do Flamengo e do Santos, duelarão, no próximo sábado, decidindo o título simbólico do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mas um técnico da nova geração daqui, Tiago Nunes, também merece destaque pelo trabalho igualmente moderno e elogiável que vem fazendo, no Athletico Paranaense.

O desempenho de seu time reserva, na Vila Belmiro, diante da equipe titular de Sampaoli foi exemplar. Não fosse a marcação duvidosa de um pênalti a favor do Santos, já nos últimos minutos, teria arrancado três pontos improváveis na casa de um dos primeiros colocados do torneio. E esse nem foi o maior de seus feitos recentes.

Não custa lembrar, foi o Athletico de Tiago que eliminou o Flamengo, de Jesus, e o Grêmio, de Renato Gaúcho, na Copa do Brasil, que agora decidirá contra outro treinador brasileiro da nova geração: Odair Helmann. Mas ao contrário de seu próximo oponente, do Internacional, Nunes é um fervoroso adepto do futebol moderno e ofensivo, o que o aproxima de Jesus, Sampaoli e, por que não dizer, Renato.

Mais admirável no seu caso, pelo fato de não contar com um elenco estelar como o do Flamengo, nem ter no time jogadores capazes de desequilibrar um jogo num lance individual, como, por exemplo, Éverton, do Grêmio, ou Soteldo, do Santos. No Athletico Paranaense de Tiago, o que brilha é o conjunto e o que decide é a formidável aplicação tática, sempre voltada em busca do gol.

Por ter se dividido em três frentes (disputou também a Libertadores) com um plantel limitado, sua equipe encontra-se na nona colocação, a treze pontos do líder. Mas, encerrada a Copa do Brasil, caso não conquiste o título, ainda tem condições de subir na tabela e buscar uma nova vaga para a principal competição do continente, no ano que vem.

Jesus e Sampaoli, indiscutivelmente, estão fazendo um grande bem ao futebol brasileiro, mas é muito bom ver também um jovem treinador daqui rezar na mesma cartilha e obter o sucesso que seu antecessor Fernando Diniz, por exemplo, não consegue.

Cilada

A crise no Cruzeiro começa na diretoria e vai até o vestiário. Rogério Ceni meteu-se numa camisa de sete varas. Salários atrasados, elenco dividido e cheio de medalhões envelhecidos, cartolas envolvidos em denúncias de falcatruas, o ex-goleiro já deve estar sentindo saudades do Fortaleza. Nesse clima, será muito difícil lutar contra o rebaixamento.

Estrela

Por muito pouco, Mano Menezes não estreia com um empate no Palmeiras. Sua estrela brilhou no último minuto, quando Scarpa fez o gol da tão esperada vitória sobre o Goiás -- a primeira, no Brasileiro, desde a Copa América. Com os últimos tropeços do time de Sampaoli e ainda dois jogos por fazer, diante de adversários em crise (Fluminense e Cruzeiro), Mano tem chances de acabar o turno em segundo lugar colado ao líder, seja ele o Flamengo ou o Santos.

Ao contrário de Rogério Ceni, que foi para o seu lugar, Mano parece ter sido abençoado pelo destino. Sua demissão evitou que corresse sério risco de rebaixamento, no Cruzeiro, e passasse a disputar o título, com boas chances, no Palmeiras.

Fla deve segurar Reinier

Aos 17 anos, Reinier estreou com o pé direito no time titular do Flamengo, dando o passe para Gabriel abrir o placar contra o Avaí e fechando a conta ele mesmo, ao concluir, com categoria, uma tabela com o artilheiro. É o tipo de jogador que o Flamengo deveria fazer tudo para manter no mínimo por mais três ou quatro temporadas, como o Santos fez com Neymar, que só saiu aos 21 anos, depois de ter dado ao time da Vila Belmiro uma Libertadores, uma Recopa Sul-Americana, uma Copa do Brasil e três paulistinhas. O rubro-negro vive uma fase de prosperidade, por que vender tão cedo uma de suas principais joias das divisões de base? Já não basta ter sido obrigado a fazer o mesmo com Vinícius Jr.?

"Ferrabraz"

A grande diferença do futebol do Flamengo de hoje em relação ao que se viu nos seis anos da gestão de Eduardo Bandeira de Mello está na vice-presidência de futebol. Na administração anterior, ninguém era "do ramo". Agora, com Marcos Braz (campeão brasileiro em 2009, no mesmo cargo), a diretoria pode até errar, mas não por falta de conhecimento. E as contratações feitas em 2019 mostram que os acertos têm sido grandes: Rodrigo Caio, Pablo Mari, Bruno Henrique, Gabigol, Rafinha, Filipe Luís e Gerson provam, rodada após rodada, que Braz anda com a mira afiada. Jorge Jesus, substituindo Abel, é a cereja do bolo.

Renato Maurício Prado