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Renato Maurício Prado


Sampaoli e Diniz ou Felipão e Abel?

Sampaoli durante o jogo entre Santos e Corinthians - Ivan Storti/Santos FC
Sampaoli durante o jogo entre Santos e Corinthians Imagem: Ivan Storti/Santos FC
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

11/03/2019 10h35

Não há até o momento nenhum time brasileiro jogando um futebol empolgante. Nem aqueles cujos elencos estelares justificam altos sonhos têm conseguido praticar um jogo que encha os olhos dos torcedores. Que o digam o Palmeiras e o Flamengo, os mais ricos do pedaço, que até estrearam vencendo na Libertadores, mas dão claras mostras de que ainda buscam a formação e o entrosamento ideais.

Nada digno de alarme, embora as habituais críticas a Felipão e Abel já se façam ouvir aqui e ali. É do jogo. Creio que, com tantos reforços milionários, ambos conseguirão logo ajeitar seus times e continuo a vê-los como fortes candidatos ao título da principal competição do continente (juntamente com o Grêmio e o Cruzeiro).

Impossível não registrar, entretanto, que as duas equipes mais interessantes de se ver jogar neste início de temporada são dirigidas por treinadores reconhecidamente ofensivos e inovadores, que dispõem de material humano bem mais limitado, casos de Jorge Sampaoli, no Santos, e Fernando Diniz, no Fluminense.

Eles são autênticas antíteses de Scolari e Abelão, para voltar a usar como exemplo, os comandantes dos elencos mais estelares. Provavelmente, até pela diferença de categoria entre seus comandados (e também pelas competições menos importantes que disputam), dificilmente obterão resultados mais expressivos. Mas que, ao menos neste início de temporada, suas equipes têm dado mais gosto ver jogar, isso tem.

Sampaoli, como ressaltou Diego Pituca, em entrevista ao Fox Sports, após o empate em 0 a 0, contra o Corinthians, no Itaquerão, aplica métodos e táticas absolutamente inovadoras no nosso futebol:

- Nunca vi nenhum treinador fazer o que ele faz - admitiu, francamente, o volante santista.

Diniz, mais conhecido por aqui, não é muito diferente. Seu Fluminense, agora reforçado pelo toque de classe de Paulo Henrique Ganso, joga alternando sistemas dentro da partida e pratica um futebol ofensivo os 90 minutos - ainda que isso algumas vezes lhe deixe desguarnecida a defesa (como também acontece com o Santos de Sampaoli).

No final das contas, a comparação entre as duas duplas (Felipão e Abel x Sampaoli e Diniz) revive aquela velha polêmica: futebol espetáculo ou de resultados? Ter como principal preocupação não sofrer gols ou marca-los? Fechar a casinhas, antes de mais nada, ou ser adepto da velha máxima de que o medo de perder tira a vontade de ganhar?

Escolha o seu lado.

Anjo entrou de férias

No primeiro jogo depois que escrevi aqui mesmo no UOL, na segunda passada, que o anjo da guarda de Vinícius Jr. parecia estar lhe abrindo todas as portas, não é que o moleque se machuca feio e o seu Real Madrid acaba eliminado da Liga dos Campeões, em pleno Santiago Bernabeu? Maldito querubim! Isso era hora de tirar férias?

Por que, Tite?

Com a contusão e consequente corte de Vinícius, abriu-se a oportunidade perfeita para Tite, enfim, convocar Dudu para a seleção. Convocou-o? Não! Preferiu David Neres, ex-jogador do São Paulo, que gastou a bola exatamente na vitória do seu Ajax sobre o Real Madrid, na capital espanhola. Não vou nem entrar no mérito de Neres (duvido que alguém se lembrasse dele antes desse jogo!), mas me impressiona a sistemática resistência do treinador do Brasil em relação àquele que foi o craque do campeonato Brasileiro do ano passado e continua a jogar bem. O que Tite tem contra ele? Ou será que há uma constante preocupação de não desfalcar o Palmeiras do ex-presidente da CBF (e ainda manda-chuva, por debaixo dos panos) Marco Polo del Nero? 

Explica aí, Adenor. Porque isso já está cheirando mal...

Em tempo

Discordo da tese defendida por meu querido amigo e brilhante companheiro PVC de que parece ser preciso jogar na Europa para ser convocado por Tite. Quando resolveu chamar Lucas Paquetá, Dedé e Everton, para amistosos fuleiros, no ano passado (sintomaticamente, também naquela ocasião, não chamou ninguém do Palmeiras), o técnico não se incomodou com isso e desfalcou Flamengo, Cruzeiro e Grêmio, nas semifinais da Copa do Brasil e no Brasileiro, na maior cara-de-pau.
 

Renato Maurício Prado