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Rafael Reis

REPORTAGEM

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'Jogadora mais sexy' foge do OnlyFans, mas é modelo para completar renda

Ana Maria Markovic, jogadora da seleção croata, também trabalha como modelo - Reprodução/Instagram - @fanta2408
Ana Maria Markovic, jogadora da seleção croata, também trabalha como modelo Imagem: Reprodução/Instagram - @fanta2408

19/10/2022 04h20

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Rotulada por diferentes veículos da imprensa europeia como a "jogadora de futebol mais sexy do mundo", a atacante croata Ana Maria Markovic tem relutado em criar uma conta no OnlyFans.

Apesar de campanhas feitas por seus fãs para que comece a comercializar fotos e vídeos sensuais na plataforma, a camisa 7 do Grasshooper, um dos clubes mais tradicionais da Suíça, tem resistido ao assédio para entrar no mercado do entretenimento adulto.

A jogadora de 22 anos, no entanto, tem trabalhado cada vez mais como modelo, bico que acabou se transformando em sua principal fonte de renda.

Não há informações concretas sobre o salário de Markovic na Suíça. Mas, de acordo com a BBC, o rendimento médio de uma jogadora que atua no Campeonato Inglês é de 47 mil libras (R$ 243,7 mil) por ano.

Só que, assim como acontece no masculino, a versão feminina da Premier League já é a liga nacional mais endinheirada do planeta.

Na prática, isso significa que os ganhos com futebol da atacante croata em um campeonato que faz parte somente do segundo ou terceiro escalão da Europa provavelmente não chegam nem perto desse valor.

Para completar o orçamento, Markovic tem aumentado progressivamente o tempo dedicado às carreiras paralelas de modelo e influencer.

Com 1 milhão de seguidores no Instagram (mais do que a maioria das atletas mais renomadas da sua modalidade), a camisa 7 tem um contrato de patrocínio fixo com a Nike e é o rosto oficial de uma empresa de refrigerantes e sucos de baixa caloria na Suíça.

Nas últimas semanas, a jogadora também protagonizou campanhas publicitárias para uma marca de produtos de cuidados com a pele, outra exclusiva para cabelos e ainda para uma rede de concessionárias de veículos.

Nascida na Suíça e descendente de croatas, ela tem feito questão de lutar contra o rótulo de "jogadora mais sexy do mundo" desde que começou a ser chamada assim pela imprensa europeia, no primeiro semestre.

"Muitas pessoas começaram a me mandar mensagens fingindo ser treinadores. Mas eu sei exatamente o que querem de mim. Eles nunca me viram jogar futebol e só me procuraram por causa da aparência. Acho que para fazerem propostas e coisas do gênero, tinham primeiro que saber o que posso fazer em campo", disse a atacante, em entrevista ao jornal britânico The Sun.

Na atual temporada, apesar do desempenho ruim (disputou apenas sete jogos, a maioria como reserva, por Grashopper e seleção croata), continua sendo muito mais requisitada pelas marcas do que qualquer uma das suas companheiras de time.

"Existem algumas fotos muito feias [que me mandam]. Não sei por que uma pessoa faz algo assim. Por outro lado, também recebo às vezes algumas mensagens engraçadas. Há pessoas que escrevem que querem me servir e limpar as minhas chuteiras após o treino."

O movimento machista que transformou Markovic em estrela, ainda que a contragosto da jogadora, está longe de ser uma novidade.

Em 2001, o regulamento do Campeonato Paulista feminino dizia claramente que os uniformes dos clubes deveriam exaltar a "beleza e sensualidade" das jogadoras. Seis anos antes, a então atacante Bel, do Inter e da seleção brasileira, posou nua para a revista Playboy.

A goleira Hope Solo também teve de conviver durante toda sua carreira com o rótulo de musa, apesar de ter conquistado duas medalhas olímpicas de ouro (Pequim-2008 e Londres-2012) e um título mundial (2015) com a seleção norte-americana.