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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Poço sem fundo? Barcelona pode ter debandada histórica no fim da temporada

Contrato de Pedri com o Barcelona termina em junho; vai ser difícil renová-lo - Getty Images
Contrato de Pedri com o Barcelona termina em junho; vai ser difícil renová-lo Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

04/10/2021 04h00Atualizada em 04/10/2021 11h36

O Barcelona pode até estar passando por um momento sombrio, mas não vai ficar completamente afundado no mar da mediocridade por muito tempo porque conta com jovens talentosos que lhe dão uma garantia de futuro melhor.

Mas a aposta na evolução de Ansu Fati, Pedri e Gavi, todos com menos de 20 anos e muito futebol de alto nível pela frente, é apenas um discurso negacionista de torcedores culés que insistem em não enxergar o óbvio.

O time que um dia teve Johan Cruyff, Diego Maradona, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Andrés Iniesta e Lionel Messi vive um dos momentos mais delicados dos seus quase 122 anos de existências. E não há garotos talentosos capazes de alterar esse rumo.

O problema maior nem é a sequência de duas derrotas consecutivas, a série com uma vitória nos últimos seis jogos ou o 0% de aproveitamento na Liga dos Campeões da Europa até o momento. Mas, sim, os efeitos de se acostumar com tantos resultados negativos.

O processo atualmente vivido pelo Barcelona lembra muito aquele que derrubou o Arsenal a partir da segunda metade da década de 2000.

Para quem é mais novo e começou a acompanhar o futebol internacional há pouco tempo, os Gunners eram a principal força opositora ao Manchester United nos primeiros anos da Premier League. Entre 1998 e 2004, o time londrino conquistou três títulos ingleses e ganhou fama por praticar um dos jogos mais bonitos do planeta.

Só que, de repente, as taças começaram a escassear. Em um primeiro momento, poucos foram os torcedores que se preocuparam com o clima de decadência. Afinal, o clube contava com muitos talentos promissores, e a crença geral era de que tudo voltaria aos trilhos quando eles amadurecessem.

Mas nem eles tiveram paciência de esperar a equipe voltar a ser competitiva. Um a um, os melhores jogadores do Arsenal, como Cesc Fàbregas, Robin van Persie e Samir Nasri, foram se incomodando com o ambiente de decadência que imperava no Emirates e acabaram pedindo para ir embora.

E esse é o risco que ameaça o Barcelona a médio e longo prazo. Se não retomar logo o caminho das taças e continuar acumulando vexames, o que ele terá a oferecer para seus jovens talentos que almejam fazer história?

O perigo é de uma debandada já na próxima temporada. Afinal, os contratos de Ansu Fati e Pedri terminam em junho. E, neste momento, é difícil imaginar uma razão para eles recusarem propostas de gigantes da Inglaterra para continuar no Camp Nou.

O pior é que o Barcelona nem tem capacidade financeira para convencê-los a ficar com propostas economicamente irrecusáveis. Atolado em dívidas na casa de 1,35 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), o clube tem hoje uma folha salarial permitida de 97 milhões de euros (R$ 607,6 milhões) por temporada.

Para se ter uma ideia de como esse valor é baixo e restritivo, o teto do Real Madrid é de 739 milhões de euros (R$ 4,6 bilhões) e, além dos merengues, outros seis times espanhóis podem investir mais que o Barça.

A equipe dirigida por Ronald Koeman só ganhou uma das seis partidas que disputou desde o início de setembro e já está no meio da tabela de classificação do Campeonato Espanhol. Na Champions, é um dos seis clubes que não somaram sequer um ponto nas duas primeiras rodadas da fase de grupos.

O único alívio do Barça é a chegada da Data Fifa. Por conta dos compromissos das seleções, o time terá duas semanas para colocar a cabeça em ordem e tentar resolver pelo menos seus problemas táticos.

O próximo compromisso oficial dos culés é só em 17 de outubro, contra o Valencia, em casa. Três dias depois, o adversário será o Dínamo de Kiev, em uma espécie de "decisão particular" na competição continental.