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Rafael Reis

Como Marcelo foi de craque a vilão e virou símbolo da crise do Real Madrid

Marcelo tem sido tratado como principal vilão do Real Madrid na temporada - Angel Martinez/Getty Images
Marcelo tem sido tratado como principal vilão do Real Madrid na temporada Imagem: Angel Martinez/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

09/12/2020 04h00

O clube mais poderoso e vitorioso da história do futebol mundial está nas cordas. O Real Madrid faz hoje um jogo de vida ou morte contra o Borussia Mönchengladbach na tentativa de evitar o vexame histórico de ser eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa e ocupa apenas a quarta colocação do Campeonato Espanhol.

Para torcedores e jornalistas que cobrem o dia a dia merengue, a culpa do fracasso que tomou conta do time neste início de temporada é do técnico Zinédine Zidane, da estrela que não brilha Eden Hazard e da diretoria que não soube fazer uma revolução gradual do elenco. Mas, principalmente, de Marcelo.

Tratado durante quase uma década como melhor lateral esquerdo do mundo e vencedor de nada menos que quatro edições da Champions, o brasileiro de 32 anos virou o símbolo máximo da crise que tomou conta de Madri.

Manchetes como "Por que a insistência com Marcelo" e "Marcelo: até quando?", publicadas nos últimos meses pelo "Marca", têm sido frequentes após cada novo tropeço do Real em que o veterano está em campo.

E os números dão razão à ideia de que a escalação do brasileiro se tornou um perigo enorme para a sobrevivência de Zidane no cargo. Afinal, em 2020/21, o Real é muito pior quando o dono da camisa 12 é escalado.

Na atual temporada, o aproveitamento da equipe madrilena com Marcelo é de apenas 33,3%. Sem ele, o desempenho mais que dobra: 70% dos pontos disputados vão para a conta dos antigos galácticos.

A quantidade de vitórias, empates e derrotas, assim como a frequência de gols marcados e sofridos, seguem o mesmo ritmo. Todos os números que medem o desempenho do Real são piores (e, em alguns casos, bem piores) nas partidas em que Marcelo atua.

Apesar de hoje ser banco do francês Ferland Mendy, o brasileiro continua sendo bastante utilizado. Nesta temporada, ele participou de seis dos 16 compromissos já disputados pela equipe.

Marcelo foi o lateral esquerdo do Real nas últimas dez derrotas sofridas no Espanhol (desde abril de 2019). Por isso, muita gente já pensa que não basta mais ele ser reserva e não atuar nos jogos mais importantes, mas sim que é preciso retirá-lo do rodízio promovido por Zidane.

Mesmo tendo contrato até junho de 2022, não será uma surpresa caso o camisa 12, que já não integra a seleção brasileira desde a última Copa do Mundo, seja liberado para acertar com outro clube já na janela de janeiro. Juventus, Inter de Milão e equipes da China são as favoritas para contratá-lo.

Para ter certeza que não ficará de fora das oitavas de final da Liga dos Campeões pela primeira vez desde 1997, o Real precisa vencer o Mönchengladbach. Caso empate, terá de torcer contra uma goleada da Inter de Milão contra o Shakhtar Donetsk. Em caso de derrota, estará automaticamente eliminado do torneio continental.

Já no Espanhol, o próximo compromisso merengue é justamente o clássico de Madri, contra o líder Atlético, no sábado. Neste momento, seis pontos e uma tempestade de críticas separam as duas equipes.

Real Madrid em 2020/21

COM MARCELO
Jogos: 6
Vitórias: 2 (33,3%)
Empates: 0
Derrotas: 4 (66,7%)
Gols a favor: 9 (1,5 por partida)
Gols contra: 11 (1,83 por partida)
Aproveitamento: 33,3% dos pontos disputados

SEM MARCELO
Jogos: 10
Vitórias: 6 (60%)
Empates: 3 (30%)
Derrotas: 1 (10%)
Gols a favor: 17 (1,7 por partida)
Gols contra: 10 (1 por partida)
Aproveitamento: 70% dos pontos disputados