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Saiba quanto o Palmeiras gastou com arbitragem em clássico com falha do VAR

Jogadores do São Paulo cobram de Leandro Vuaden marcação de pênalti na partida contra o Palmeiras - Marcello Zambrana/AGIF
Jogadores do São Paulo cobram de Leandro Vuaden marcação de pênalti na partida contra o Palmeiras Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

22/07/2022 04h00

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Você já pagou uma bela grana por um serviço malfeito e ficou por isso mesmo, apesar de o prestador admitir a falha? Dá para dizer que o Palmeiras passou por situação semelhante no segundo jogo das oitavas de final da Copa do Brasil contra o São Paulo, no Allianz Parque. O Alviverde gastou R$ 48.033,65 com arbitragem, incluindo despesa relativa ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), naquela partida. O jogo, que eliminou a equipe de Abel Ferreira da competição, foi marcado por uma falha do VAR admitida pela CBF.

A confederação admitiu que o VAR errou por não traçar a linha de impedimento no lance anterior ao pênalti marcado a favor do São Paulo. A dúvida é se Calleri estava impedido antes da jogada que resultou no pênalti convertido por Luciano e marcado com ajuda do árbitro de vídeo. A vitória palmeirense por 2 a 1 levou a decisão da vaga nas quartas de final para os pênaltis. O clube do Morumbi avançou. Se vencesse por dois gols de vantagem, o Palmeiras seguiria no torneio.

Como era o mandante, o Palmeiras tinha a obrigação de pagar sozinho pela arbitragem, como fez o São Paulo na primeira partida do confronto. As despesas são descontadas da receita com a venda de ingressos.

O boletim financeiro da partida, disponível no site da CBF registra no item identificado como "arbitragem", na parte destinada às despesas operacionais, gasto de R$ 20.680,67. Essa quantia representa a soma dos valores pagos para cada integrante da equipe de arbitragem. Estipulada pela CBF, essa remuneração varia de acordo com a categoria do componente da equipe. Depende, por exemplo, se ele pertence ao quadro da Fifa ou não.

Foram gastos mais R$ 23.216,85 especificados como "arbitragem/diária/transporte". Aqui entram as despesas da equipe de arbitragem com locomoção, alimentação e hospedagem. Existe uma tabela feita pela CBF para regular esses gastos.

O mesmo documento mostra, na área destinada a taxas e impostos, que foram descontados da arrecadação R$ 4.136,13 anotados como "20% INSS arbitragem". Trata-se de recolhimento feito pelo clube a título de obrigação patronal.

A equipe de arbitragem, como de costume, foi composta por sete pessoas. O árbitro Leandro Vuaden e seus dois assistentes são vinculados à Federação Gaúcha de Futebol. O assistente Rafael da Silva Alves é o único deles que integra os quadros da Fifa.

Os três componentes que atuam no VAR (árbitro de vídeo, assistente do árbitro de vídeo e observador de VAR) são da Federação Mineira. Apenas o quarto árbitro atua pela Federação Paulista.

Em sua análise sobre a atuação do VAR na partida, disponível em seu site, a CBF apontou que o árbitro assistente de vídeo deveria ter observado os melhores ângulos disponíveis para analisar a condição de jogo de Calleri no lance que antecedeu à jogada do pênalti. E conclui que, em lances ajustados, a linha virtual deve ser utilizada para a confirmação da decisão de campo.

Em meio às queixas dos palmeirenses após a partida, a CBF anunciou que havia afastado da 17ª rodada do Brasileirão o árbitro de vídeo, Emerson de Almeida Ferreira, e seu assistente, Marcus Vinicius Gomes por estarem, na ocasião, sob avaliação de desempenho técnico.

Após fazer o primeiro protesto formal quanto ao desempenho do VAR, o Palmeiras enviou novo ofício para a CBF pedindo que a linha de impedimento fosse traçada. Porém, em entrevista ao portal GE, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Wilson Luiz Seneme, disse que isso não poderia ser feito porque a máquina usada pelo VAR naquela partida já havia sido "resetada" pela empresa responsável por ela. Segundo a declaração, trata-se de um procedimento padrão realizado antes de um novo uso.

O Palmeiras não fez protesto específico por pagar taxa de arbitragem por um serviço que falhou. Protestou, sim, contra o que considerou ser um enorme prejuízo causado pela eliminação.

Só a classificação para as quartas de final valia uma premiação de R$ 3,9 milhões. No entanto, vale lembrar que não há garantia de que se a linha de impedimento fosse traçada seria constatado o impedimento de Calleri. E, mesmo que fosse, não seria possível cravar a classificação palmeirense.