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Mais do que Pelé X Maradona devemos debater dependência química no futebol

Coroa de flores enviada por Pelé para o enterro de Diego Maradona - Divulgação
Coroa de flores enviada por Pelé para o enterro de Diego Maradona Imagem: Divulgação
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

26/11/2020 19h17

A morte de Maradona trouxe de volta a velha discussão: quem foi melhor, ele ou Pelé? De fato, a comparação é tentadora neste momento, mas não é a mais importante e objetiva que pode ser levantada agora.

Mais interessante seria discutir como, de maneira geral, o futebol trata jogadores com dependência química e o que pode ser feito para ajudá-los.

A resposta para o primeiro questionamento provavelmente está em seu celular. Procure lá, veja se encontra em seu WhatsApp memes de péssimo gosto fazendo referência à dependência química de Diego.

Na maioria das vezes, o jogador que é dependente químico é tratado por parte significativa da sociedade assim, com zombaria e preconceito. Quando se trata do torcedor do time em que o atleta joga há ainda a ira.

Não é difícil, por exemplo, achar um torcedor com cerveja na mão, às vezes embriagado, gritando "cachaceiro" para um jogador que erra um lance.

Não se trata aqui de querer engessar o torcedor. Até porque, eu mesmo, segurando um copo de cerveja na arquibancada, já xinguei jogadores por algum motivo no calor da partida.

A proposta aqui é fazer uma reflexão sobre se somos justos com atletas que enfrentam esses problemas. Estendemos a mão para eles ou apontamos o dedo?

Quer fazer outro exercício: Garrincha, que perdeu a guerra para o álcool é reverenciado como deveria ou é tratado quase como uma piada? Será que ele e Maradona teriam sido mais fortes se clubes, imprensa, colegas e torcedores os tratassem como quem precisa de ajuda em vez de oferecer a eles apenas críticas, preconceito e pena?

Investir energia pensando num modelo em que clubes façam um eficiente trabalho de prevenção na categorias de base (dá para ir além das palestras que vários já fazem) é necessário.

Prestar atenção nos sinceros depoimentos que Casagrande tem dado desde a morte de Diego é um bom ponto de partida para debatermos algo que nos levará a algum lugar.

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