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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mauro Cezar: Flamengo e sua gente na rua, algo que muito incomoda São Paulo

Torcedores do Flamengo cercam ônibus da delegação durante "Aero Fla": manifestação popular e reencontro - Gilvan de Souza / Flamengo
Torcedores do Flamengo cercam ônibus da delegação durante "Aero Fla": manifestação popular e reencontro Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

20/11/2021 04h00

São Paulo (o Estado) tem cerca de 30% do PIB nacional. Seus clubes de futebol saíram na frente na organização, na estrutura, nos anos 1990. O Rio de Janeiro mergulhou em decadência econômica e o futebol foi junto. Mas no meio disso tudo existe o Flamengo, que não é do Rio, mas do Brasil.

Sim, há mais rubro-negros fora do Estado onde está sediado do que em solo fluminense. E é por isso que o clube tem capacidade de regenerar, sair do buraco com a maior dívida do futebol brasileiro para encontrar estabilidade financeira e, depois, poderio econômico igual ou maior do que nos acostumamos a ver nos clubes paulistas.

A renda média de corintianos, são-paulinos, santistas e palmeirenses certamente é maior do que a dos rubro-negros. Mas esses são muito numerosos, presentes em todas as classes sociais, em cada canto do país. E em São Paulo é quase impossível sair às ruas por algumas horas e não ver pelo menos uma camisa do campeão brasileiro.

Essa força é tamanha que faz com que torcedores, mordidos, rotulem a torcida rubro-negra que vive fora do Rio de Janeiro de "terceirizada". Conversa fiada de comediantes mal sucedidos que não dizem o mesmo, por exemplo, dos torcedores de times paulistas nascidos e criados no norte do Paraná.

Quando o Flamengo se despede do torcedor carioca rumo a mais uma final da Libertadores e arrasta uma multidão de apaixonados, constatamos o reencontro de uma camisa e sua gente, seu povo. Gente pobre e excluída dos estádios pela elitização que assola o nosso futebol. E as reações são engraçadas até, partindo dos que sentem a hegemonia ameaçada.

Um movimento popular vira tema de "análises" rancorosas, marcadas por inveja de quem sempre sonhou ver no seu time um "Flamengo" com cores diferentes. Infelizmente isso não parece possível, por melhor que seja o marketing. Trata-se de uma força tamanha que a alguns incomoda, machuca, fere.

Imagine só como seria se os dirigentes atuais do clube de maior torcida no Brasil soubessem tratar bem esse povo, entregando o mínimo do que necessitam. O poderio seria maior, e levaria o Flamengo a outros patamares inimagináveis. Mas o elitismo está embutido nos gabinetes da Gávea.

O Aero Fla é manifestação popular, é o povo reencontrando seus ídolos, sua paixão. A final será no dia 27 e não sabemos quem vencerá. Mas sabemos que, perdendo ou ganhando o Flamengo, na próxima grande decisão longe do Maracanã a "Nação" vai tomar as ruas pedindo o mundo de novo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL