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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol feminino perdeu, mas cresce. E precisa saber conviver com críticas

Marta consola Bárbara após a eliminação  - Koki Nagahama/Getty Images
Marta consola Bárbara após a eliminação Imagem: Koki Nagahama/Getty Images
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

30/07/2021 16h46

Obviamente torço pelo sucesso do futebol feminino brasileiro, não há motivos para que seja diferente. Mas não creio que seu desenvolvimento deva ser medido pela conquista eventual de uma medalha olímpica, mas observando o crescimento dentro do país, o que vem acontecendo.

Contudo, engajados no apoio à modalidade precisam entender que, ao crescer, o futebol feminino atrairá mais pessoas, consequentemente comentários positivos e negativos. Não dá para pedir apoio e esperar que sejamos todos chapas-brancas, tolerantes com os erros.

Como bem disse Marcos Uchoa no Sportv, é indiferente se o jogo é disputado por homens ou mulheres. Elas são capazes, como eles, e deverão conviver com elogios e críticas, algo inerente ao desenvolvimento da modalidade.

Não importa que defensores incondicionais não aceitem comentários negativos sob a alegação de que torcedores do período olímpico não acompanham regularmente os jogos de futebol entre as mulheres. Ora, se querem mais atenção, audiência, aceitem que uma única partida basta para que se emita opiniões sobre ela. Como na Copa do Mundo de homens muitos se veem em condições de dizer o que pensam sobre a seleção da Bósnia sem ter ideia de onde fica Sarajevo.

O antigo coitadismo e a postura 100% torcedora sem espírito crítico só atrapalham. Como as manifestações raivosas de aversão às críticas, vistas em redes sociais após a eliminação diante do Canadá. A exemplo dos elogios, elas podem, e devem, existir, desde que honestas, sem exageros e crueldade

Repelir os haters faz óbvio sentido, em qualquer situação. Mas ouvir e ler palavras não elogiosas quando o desempenho deixa a desejar é consequência do que já vêm acontecendo, o crescimento do futebol praticado pelas mulheres no Brasil. Também se faz necessária a evolução de parte dos adeptos, com ou sem microfone à mão ou espaço para escrever, se manifestar.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL