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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Guardiola parecia Mano Menezes

Guardiola festeja com jogadores do City - Divulgação
Guardiola festeja com jogadores do City Imagem: Divulgação
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

05/04/2021 04h00

"As relações que você tem com os jogadores dependem dos jogadores, não de ti. Alguns têm relacionamentos mais próximos e outros mais distantes, mas isso não importa".

"Isto (o futebol) é um negócio, é um business. E consiste em ganhar partidas no momento em que o árbitro apita o início. Se somos mais amigos, ou menos amigos, isso não importa".

"Estou aqui para tirar o melhor rendimento dos jogadores, e eles para jogar bem em benefício do nosso clube e para que os torcedores estejam contentes com a gente. Se nesse processo tivermos boas relações, isso é fantástico. Se não for boa, ou for ruim, não tem problema".

"Há jogadores que pensam mais no bem comum. E me sinto mais próximos deles do que daqueles que só pensam neles. Quando temos que utilizá-los, utilizamos, e quando não temos, não".

Na ótima entrevista à repórter Natalie Gedra - clique aqui e veja -, Pep Guardiola foi frio e direto ao falar sobre as relações no dia a dia com jogadores de futebol, entre eles e com o treinador. Seu raciocínio foi objetivo: se puderem ser amigos, ótimo, caso contrário, isso não importa porque todos estão ali, reunidos, não por amizade ou por acharem todos legais. Eles lá estão para trabalhar e fazer o melhor possível para quem lhes paga.

Na prática sabemos que não é exatamente assim. Primeiro porque o futebol não é apenas um negócio, mas um "business", como disse o treinador do Manchester City, só que movido pela paixão dos torcedores. E no caso de profissionais como ele mesmo, paixão pelo que faz, e pelo futebol. a mentalidade no ambiente profissional deve ser essa, se dois jogadores são os melhores amigos, têm pouca afinidade ou se detestam, isso não pode ser mais importante do que o trabalho. Assim o patrão, que é a torcida, ficará satisfeito.

Mas nem sempre no futebol as coisas se desenvolvem tão profissionalmente. Quem nunca ouviu falar de argumentos como, "o atleta está infeliz", e por isso deseja mudar de time? Ou não quer continuar porque o técnico não o escala como gostaria? A vaidade fala alto entre boleiros, e no caso de Guardiola há o aparente objetivo nas entrevistas de ser reconhecido intelectualmente, inclusive. Como homem inteligente que é, consegue tal identificação.

Mas não é preciso ser genial para saber que bom ambiente pesa no trabalho. Tanto que jogador sem entrosamento com os demais, e/ou com o técnico, tende a não ficar. Por que pessoas que trabalham distantes, isoladas, sem integrar a equipe para valer, são as mais fortes candidatas ao descarte. É algo natural. Natalie fez boas perguntas, o entrevistado deu suas respostas com habilidade, mas em alguns momento, com tamanho media training, Pep Guardiola parecia Mano Menezes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL