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Diego postou e Fred reuniu pessoas em sua aventura de bicicleta. E a COVID?

Fred, de volta ao Fluminense, fez o trajeto BH-RJ de bicicleta - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Fred, de volta ao Fluminense, fez o trajeto BH-RJ de bicicleta Imagem: Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

05/06/2020 12h43

Sábado de sol no Rio de Janeiro. Capitão do Flamengo, camisa 10, Diego posta uma foto de seu passeio de bicicleta pela praia da Barra da Tijuca. Nada demais, não estivéssemos em meio à pandemia do novo coronavírus.

O rubro-negro apagou a postagem e se desculpou ante péssima repercussão. Um erro inconcebível para um profissional tão experiente, é claro. Péssimo exemplo em meio a tantos desafiando a COVID-19 e ignorando a quarentena.

No dia seguinte, em live o atacante Fred vestiu novamente a camisa do Fluminense após defender Atlético e Cruzeiro. Ídolo tricolor, ele está de volta às Laranjeiras quatro meses antes de completar 37 anos.

Fred - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Fred irá doar o cachê que recebeu de parceiros para comunidades próximas ao CT do Fluminense
Imagem: Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação

Emocionado, o artilheiro chorou durante o diálogo ao vivo com o presidente do clube, Mário Bittencourt. E anunciou que faria o trajeto entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro de bicicleta, com arrecadação e doações de cestas básicas.

Apesar da nobre iniciativa, tal desafio foi no mínimo discutível pelo perigo. Um atleta pedalando por cerca de 600 quilômetros, sob risco de lesões pelo esforço ou queda e possíveis contusões? Faz sentido? E não é só.

Se Diego errou ao postar foto durante seu passeio de bicicleta, na aventura MG-RJ de Fred atraía a multidão. Em meio à pandemia, o atacante ia passando por cidades do interior mineiro e parando. Com isso, reunia muita gente, como mostrou o companheiro Luiz Prota em seu Twitter.


Nas imagens, relata o narrador, Fred transitava por Itanhandu, cidade de Prota, além de chegar a Passa Quatro. Com isso aglomerações se formaram com fãs indo a seu encontro, em busca de uma foto ou por simples curiosidade.

Obviamente a responsabilidade maior é de quem sai de casa e se mete num tumulto por isso. Mas um ídolo do futebol também deveria avaliar os riscos coletivos nesse momento. Evitar mais contaminações é muito mais importante do que qualquer aventura ciclística, obviamente.

Tudo isso ocorreu no dia de mais um recorde de mortes pela doença, quarta-feira, marca que na quinta seria superada com 1.473 óbitos e o Brasil passando a Itália com mais de 34 mil. Não seria mais adequado fazer a campanha das cestas básicas de outra forma, sem se expor e estimular a exposição de tantos? Incrível isso ter sido quase ignorado na mídia.

Já na sexta-feira, Fred chegou ao Rio de Janeiro são e salvo, não sofreu acidentes e aparentemente está ok. Ótimo para ele e para o Fluminense. Mas é no mínimo esquisito observar a naturalidade de tantos diante dessa ação bacana e ao mesmo tempo aglomerante de pessoas no momento que vivemos.

Que país estranho é o Brasil!.

Mauro Cezar Pereira