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Marcel Rizzo


Patrocinador pode obrigar Fifa a manter Mundial de Clubes com formato atual

Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

19/03/2020 11h50

A Fifa pode ser obrigada a manter o Mundial de Clubes no formato atual com sete participantes, que acabaria em 2020, por pelo menos mais uma ou duas temporadas por causa de contrato assinado com patrocinador.

A pandemia do novo coronavírus fez com que o calendário do futebol mundial fosse afetado e Eurocopa e Copa América foram adiadas de meados de 2020 para meados de 2021, mesma época que a federação internacional estrearia na China seu novo Mundial de Clubes turbinado com 24 participantes. A Fifa já avisou que terá que reagendar essa competição.

O problema para a entidade é que há um contrato assinado até 2022 com o grupo chinês de venda online Alibaba, que é parceiro exclusivo do Mundial. No acordo há, obviamente, a necessidade de que o campeonato aconteça. Mesmo com o surto da Covid-19 ser algo fora do controle da Fifa, há discussões na entidade de que talvez seja necessário manter além de 2020 o Mundial atual e jogado em dezembro caso o adiamento do novo torneio com 24 participantes fique para 2023, que é a data que se trabalha neste momento.

Criado em 2004, o Mundial de Clubes com sete concorrentes teria sua última edição em dezembro deste ano, no Qatar. No momento a Fifa não teme ter que adiá-lo, já que o retorno que recebeu das confederações é que não há projetos de que os campeonatos continentais, como Libertadores e Liga dos Campeões, não acabem nessa temporada — o blog mostrou na quarta (18) que a Conmebol mantém a final única da Libertadores para 21 de novembro, no Maracanã.

O problema para a Fifa mesmo é não ter o Mundial de Clubes com 24 participantes em 2021, como estava previsto. Isso já está decidido e a entidade estuda quando poderá realizá-lo. Dezembro do ano que vem é inviável porque um clube europeu já reclama de jogar o torneio em meio à temporada, imagine oito ou até 12 que devem participar da edição turbinada. Por isso ela estava agendada para junho e julho, quando os campeonatos nacionais da Europa estão em recesso.

Em 2022 há a Copa do Mundo do Qatar, marcada para novembro e dezembro. Há, portanto, a necessidade de adaptação do calendário entre junho e julho e a Fifa não acha possível encaixar o novo Mundial nesse período. Por enquanto o mais provável é que a competição, que se realizada em 2021 teria a participação do Flamengo, campeão da Libertadores em 2019, fique para 2023, ano em que o contrato com o Grupo Alibaba nem existirá mais.

A movimentação ainda é tímida e a cartolagem vai esperar o fim do surto do novo coronavírus para entender melhor como o calendário do futebol mundial será afetado. Mas a possibilidade de manter o Mundial no formato atual para 2021 ao menos é algo real neste momento.

Marcel Rizzo