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Marcel Rizzo


Cidade epicentro de coronavírus é sede do Mundial de Clubes e preocupa Fifa

Wuhan, na China central, será sede do Mundial de Clubes em 2021 - Getty Images
Wuhan, na China central, será sede do Mundial de Clubes em 2021 Imagem: Getty Images
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

27/01/2020 10h40

A Fifa monitora o avanço do novo coronavírus que já matou 81 pessoas na China e se alastra por outros países. Há preocupação porque o Mundial de Clubes de 2021, o primeiro com 24 participantes e uma das principais apostas da federação para turbinar suas receitas, será em solo chinês entre 17 de junho e 4 de julho do ano que vem. E Wuhan, o epicentro dos casos, é uma das oito sedes. O Flamengo já está classificado para o torneio.

Em dezembro, a federação chinesa divulgou as cidades que receberão as partidas. Como o blog mostrou, Xangai deve ter a final e possivelmente a abertura, mas Wuhan, capital da província de Hubei de 11 milhões de habitantes, foi confirmada como uma das sedes por sua posição estratégica. Localizada no centro da China, tem acesso facilitado às principais cidades.

Além de Wuhan serão sedes Xangai, Tianjin, Guangzhou, Shenyang, Jinan, Hangzhou e Dalian.A 17 meses do torneio, a Fifa não pretende, agora, tomar alguma decisão mais radical. Mas Wuhan especificamente preocupa porque está isolada, segundo relatos do governo chinês.

Mesmo se a propagação do coronavírus parar, há apreensão de como a cidade pode se recuperar para poder receber jogos. Hoje a aposta dentro da entidade é de que dificilmente Wuhan receberá partidas. A China foi escolhida por unanimidade pelo Conselho da Fifa como sede do Mundial de 2021 em outubro de 2019, não por coincidência em reunião realizada em Xangai. O país era um anfitrião óbvio porque, hoje, empresas do país são os principais financiadores da Fifa, inclusive com o Grupo Alibaba, de comércio online, como patrocinador do Mundial até 2022.

O torneio, que desde 2005 é anual com sete participantes (o campeão de cada continente, mais um representante do país-sede) será, a partir de 2021, quadrienal e terá 24 participantes, oito europeus e seis sul-americanos, se nada mudar. A Fifa avalia que há margem muito maior para aumentar suas receitas em torneios de clubes do que de seleções, por isso a criação de um Mundial que possa ter mais participantes milionários disputando.

A Conmebol definirá em março, em reunião em Assunção, como se dará a classificação para suas vagas em 2021. É certo que o Flamengo, campeão da Libertadores em 2019, estará dentro. A Conmebol já havia informado extraoficialmente a dirigentes do Independiente Del Valle, do Equador, que o título da Sul-Americana 2019 os colocaria no torneio, mas a Fifa torce o nariz.

A entidade quer que a Libertadores seja a porta de entrada para o torneio, e prefere, por exemplo, que os vices ganhem vaga — o que classificaria o River Plate, segundo colocado em 2019, e um dos clubes mais influentes politicamente dentro da Fifa atualmente.

Marcel Rizzo