PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Marcel Rizzo


Coronavírus deve estender para 2021 a temporada 2020 do futebol no Brasil

Rogério Caboclo, presidente da CBF. Entidade paralisou todos os campeonatos que organiza por tempo indeterminado - Lucas Figueiredo/CBF
Rogério Caboclo, presidente da CBF. Entidade paralisou todos os campeonatos que organiza por tempo indeterminado Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

16/03/2020 10h05

A semana será de reuniões entre a cartolagem brasileira para traçar um rumo ao calendário do futebol em 2020 que será paralisado por causa do novo coronavírus. Há, porém, uma certeza: os Estaduais serão prejudicados.

Presidentes das federações, reticentes com possíveis prejuízos, não querem ouvir na possibilidade de que os torneios sejam cancelados definitivamente, sem a definição de um campeão. Essa possibilidade não está na mesa, ainda, mas pode ser elaborada caso as paralisações superem os 15 dias.

Hoje a sugestão é que as federações que consigam adaptar seus regulamentos para diminuírem datas, que o façam. Em São Paulo, por exemplo, restam seis datas para o fim da competição, duas da primeira fase, a de grupos, uma nas quartas, outra na semi e duas para a final. Se poderia, por exemplo, ganhar uma data ao transformar a decisão em partida única.

A ideia neste momento é não atrasar o início do Brasileiro, marcado para o início de maio, claro caso o surto não piore e fique meses sem futebol. Por isso os Estaduais, caso não sejam cancelados definitivamente, teriam que se encaixar pelo resto da temporada.

É possível? É, com algumas condições. O futebol teria que avançar por dezembro, o que implicaria nas férias dos jogadores e no início da temporada 2021. Os Estaduais, portanto, talvez sejam até mais sacrificados no ano que vem do que em 2020.

Estender o futebol por dezembro, e talvez até janeiro de 2021, é algo bem palpável também porque torneios como a Libertadores e a Sul-Americana, que implicam em longos deslocamentos de delegações e torcedores, só devem voltar a ser disputados no segundo semestre. Está é a posição mais otimista dentro da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol).

Os clubes terão poder de decisão. No Ceará, por exemplo, o presidente do Ceará, Robinson de Castro, acha que o Estadual, por não se precisar viajar, não deve parar para não prejudicar o calendário — uma reunião na quarta (18) deve resolver algo por lá e portões fechados está na pauta.

A CBF paralisou todos os campeonatos que organiza no momento, o principal deles a Copa do Brasil. Mas deixou a cargo das federações definições sobre os Estaduais. A tendência é que a maioria pare — vários jogadores já se posicionaram contra entrar em campo. A Copa do Nordeste, torneio chancelado pela CBF mas organizado por uma liga independente, também deve ser interrompido neste momento.

Marcel Rizzo