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Segredos de Tite mostram por que Corinthians demora quase 6h para levar gol

Cássio sofreu dois dos três gols do Corinthians em 2015 - AFP PHOTO / JUAN MABROMATA
Cássio sofreu dois dos três gols do Corinthians em 2015 Imagem: AFP PHOTO / JUAN MABROMATA

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

11/03/2015 06h00

Pior ataque do Campeonato Paulista 2015 ao lado do Marília, o São Bernardo visita o Corinthians nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília) no Itaquerão. Não promete ser uma tarefa simples para os visitantes, lanternas de seu grupo.

Se considerados os jogos oficiais deste ano, o Corinthians de Tite demora 5h50min de bola rolando para sofrer um gol. Até aqui, isso ocorreu em apenas três ocasiões: contra o Botafogo-SP, o Once Caldas-COL e o Ituano.

Em partes, isso não é exatamente uma novidade para o time que se acostumou a quase sempre sofrer poucos gols, mesmo com Mano Menezes. Para uma defesa entrosada, que já jogava junta em 2014, a evolução foi natural.

Mas há razões específicas para um número tão impressionante em 2015. Muitas delas passam por Tite, um obcecado por todos os detalhes do jogo e em fazer um Corinthians sempre competitivo, independente de quem atue. Nesta quarta-feira, com equipe mista, novamente deverá ser assim. Entenda os motivos.

A melhora do lado vulnerável

Se Fábio Santos e Emerson, responsáveis pelo corredor esquerdo, são dedicados e competentes à marcação, a mesma segurança quanto ao lado oposto não existia. Fagner, historicamente, tinha problemas defensivos, e Jadson marca pouco e está mais acostumado a dar assistências. Os dois jogadores foram foco da correção defensiva de Tite, evoluíram nesse fundamento e hoje também são responsáveis pelo sucesso do setor. O meio-campista, por sinal, atingiu ótimo peso.

Colocar em prática dois tipos de compactação

Trata-se de uma obsessão para a comissão técnica e uma das prioridades em treinamentos táticos de Tite. Significa que, sem bola, os jogadores devem estar próximos uns dos outros e ter sincronia de movimentos entre si para fechar os espaços. Isso ocorre de duas maneiras.

Há a fase vertical, onde a linha de quatro defensores deve ficar próxima da linha de quatro meio-campistas, normalmente com Jadson e Emerson abertos e Renato Augusto e Elias no centro - entre essas linhas ainda há Ralf.

Já na fase horizontal dessa compactação, zagueiros e laterais fecham o lado do campo por onde o adversário tenta penetrar. E se um dos jogadores do lado de meio-campo volta até a linha de defesa, a primeira linha passa a ter cinco integrantes. Os espaços ficam muito limitados.

Transição defensiva

É o processo em que o time consegue se reorganizar quando perde a bola, e pressiona a marcação para tentar retardar a ação ofensiva do rival. É muito bem executado pelos jogadores da frente, como Sheik e eventualmente Mendoza.

Linha de impedimento

A sincronia dos movimentos da linha de quatro defensores é um mérito em especial deTite. Se o time está compacto, deixar o adversário em impedimento será uma consequência natural. Em todos os jogos de 2015, os adversários corintianos tiveram mais impedimentos que a média do Paulista e da Libertadores. Esse número chegou ao ápice com o São Paulo no domingo passado: foram nove impedimentos da equipe de Muricy Ramalho, mais de quatro vezes a média do Estadual.

A obsessão pelas bolas aéreas

Mesmo após a vitória sobre o San Lorenzo na quarta passada, o treinador fez críticas pela desatenção de seus jogadores nesse fundamento. Dois dias depois, treinou bolas aéreas à exaustão e praticamente não correu riscos dessa forma no clássico com o São Paulo. Para Tite, tudo é treinamento.

Cássio está no ápice da forma

O Corinthians já havia tido a segunda melhor defesa do Brasileiro 2014, com Cássio na maioria das partidas, mas o goleiro começou esse ano determinado a ter uma chance na seleção brasileira. Perdeu muito peso nas férias e tem feito defesas milagrosas em momentos fundamentais - foi assim contra Linense, San Lorenzo e também São Paulo, três dos últimos quatro jogos.

Atenção aos detalhes e reações rápidas

Tite é do tipo que está atento a cada mudança do adversário durante a partida. Muitas vezes, inverte os lados de seus zagueiros para compensar fragilidades, o que aconteceu no clássico com o Palmeiras. Já diante do São Paulo, fez Paolo Guerrero marcar o volante Denílson quando tinha um jogador a menos. Minutos depois, alterou todo o posicionamento com a entrada de Cristian e passou a usar o peruano no combate ao lateral Bruno.

CORINTHIANS x SÃO BERNARDO

Local: Estádio Itaquerão, em São Paulo
Data: 11 de março de 2015, quarta-feira
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Leonardo Ferreira Lima (SP)
Assistentes: Fabio Rogerio Baesteiro e Osvaldo Apipe de Medeiros Filho (ambos SP)

CORINTHIANS: Cássio; Edílson, Felipe, Edu Dracena e Yago; Cristian e Petros; Malcom, Danilo e Luciano; Vagner Love. Treinador: Tite

SÃO BERNARDO: Daniel; Rafael Cruz, Diego Jussani, Luciano Castán e Vicente; Dudu, Moradei, Marino e Magal; Cañete e Lúcio Flávio. Treinador: Edson Boaro.

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