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Vinte e Dois

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Três opções para o Lakers sobreviver após a lesão de Anthony Davis

Anthony Davis em ação pelo Los Angeles Lakers contra o Phoenix Suns nos playoffs da NBA - Gary A. Vasquez/USA TODAY Sports
Anthony Davis em ação pelo Los Angeles Lakers contra o Phoenix Suns nos playoffs da NBA Imagem: Gary A. Vasquez/USA TODAY Sports

Vitor Camargo

Colunista do UOL

01/06/2021 04h00

É incrível como as coisas podem mudar rápido na NBA.

Dias atrás, Chris Paul estava machucado e o confronto entre Suns e Lakers tinha virado totalmente a favor dos atuais campeões. O Lakers dominou os jogos 2 e 3 para virar a série e parecia absolutamente imbatível, enquanto Phoenix se encontrava contra a parede... até que Anthony Davis machucou a virilha no segundo quarto do Jogo 4. O Suns aproveitou a ausência da estrela do Lakers para vencer a partida e igualar a série, e agora é o Lakers que está procurando respostas com o status de Davis em dúvida, enquanto o Suns parece em boa posição para retomar a liderança.

Os problemas físicos de Davis já tinham começado no Jogo 3, e AD teve um primeiro tempo fraco com 6 pontos em 2-9 nos arremessos, mas sua lesão foi o ponto de virada definitivo. O Suns liderava por 1 ponto quando Davis foi ao chão; eles venceriam o resto da partida por 7. E, embora Davis ainda seja considerado dia a dia, a maioria dos experts médicos tem demonstrado pessimismo de que uma lesão muscular vá permitir a Davis voltar para os próximos jogos da série - ou, pelo menos, voltar em alto nível. E, assim como a lesão de Paul, esse fator pode mudar completamente a série.

A perda para o Lakers vai muito além apenas do talento. Eu escrevi aqui sobre como a lesão de Paul mudava o jogo tático da série a favor de LA. Sem Davis, no entanto, a equação volta a virar a favor de Phoenix. Ayton agora pode tranquilamente defender os pivôs do Lakers sem abrir missmatches no perímetro, permitindo à defesa do Suns muito mais tranquilidade nas ajudas, e traz o ritmo da série de novo na direção mais veloz e baixa na qual o Suns se sente mais confortável e tem uma considerável vantagem. Isso significa que o Lakers está perdido? Não necessariamente, mas é inegável que uma ausência prolongada de Anthony Davis - ou mesmo um Davis jogando no sacrifício - afeta consideravelmente as chances de vitória do time.

Mas, mesmo que Davis não jogue, o Lakers ainda tem algumas opções para tentar reequilibrar a série. Isso não quer dizer que elas farão o Lakers voltar a ser o favorito. Sem Davis, o Lakers se encontra em uma situação bem difícil e o Suns deve ser considerado favorito a avançar. Mas, pensando no embate tático e analisando alguns fatores do Jogo 4, ainda é possível notar certos ajustes que estão disponíveis para o Lakers tentar sobreviver sem sua estrela.

1. Mais Alex Caruso e Marc Gasol

Quando o Lakers voltou do intervalo no Jogo 4, Frank Vogel optou por usar Kyle Kuzma no lugar de Davis; e, comentando o jogo no meu Twitter, eu logo avisei que era uma péssima decisão.

Sem Davis, Ayton estava livre para marcar Drummond e ajudar a fechar o garrafão contra o Lakers, e podia fazer isso sem correr o risco de deixar um missmatch que o Lakers pudesse explorar contra Jae Crowder. Isso seria verdade com qualquer reposição possível para Davis, mas Kuzma apenas aumentava o problema: o Suns claramente não respeita o arremesso do camisa 0, então, seu defensor podia ajudar defensivamente com muito mais liberdade, sem se preocupar em deixar Kuzma livre. E, com Ayton defendendo Drummond dentro do garrafão, isso significa que o Suns podia colocar três, quatro corpos para congestionar o aro, atrapalhando o ataque do Lakers. Toda vez que LeBron pegava a bola e tentava infiltrar, era isso que ele via pela frente:

LeBron Suns - Reprodução própria/NBA - Reprodução própria/NBA
Imagem: Reprodução própria/NBA

Essa formação com LeBron, Kuzma e Drummond jogou junta por seis minutos no segundo tempo. O Lakers foi -13 nesse período, e foi quando o Suns abriu a vantagem que acabou se provando decisiva. A decisão de voltar com Kuzma no lugar de Davis foi um fator importantíssimo na derrota do Los Angeles Lakers.

Qual seria a alternativa? A mesma que eu citei durante o jogo: o Lakers precisa de mais arremessadores, e isso significa usar mais Caruso e Gasol. Gasol tem jogado pouco por causa da idade e dos problemas defensivos, mas ainda é um excelente arremessador, e um cujo chute de fora pode tirar Ayton de perto da cesta e abrir espaço no garrafão - algo que não acontece com Drummond. Caruso, além de bom chutador, é bom playmaker secundário, alguém que não só espaça a quadra como ajuda a criar lances para que LeBron possa pegar a bola em situações mais favoráveis. A dupla LeBron-Caruso foi +7 em quadra depois da lesão de Davis; o grande motivo pelo qual o time chegou a apertar o placar no quarto período.

O time do Lakers é feito para vencer dentro do garrafão, e não com os chutes de fora; a falta de bons arremessadores é uma limitação do elenco que vem dessa construção, e vai aparecer mais agora que Davis está fora. Mas, com a lesão do seu astro, o time precisa de mais espaçamento para conseguir sobreviver ofensivamente - e para isso precisa usar mais Caruso e Gasol com os titulares.

2. Use Harrell/Schroder quando LeBron descansa

Uma das vantagens de se ter duas estrelas como o Lakers é que você pode sempre manter um jogador transformador dentro de quadra. Quando LeBron descansa, Davis vira o foco do ataque; quando Davis senta, LeBron comanda o time. Desse modo, o time fica muito mais protegido contra possíveis apagões que acontecem quando seus melhores jogadores estão no banco.

Isso obviamente não é possível sem Davis, e por mais que LeBron seja um ciborgue, nem ele pode jogar 48 minutos direto. Ele precisa descansar em algum momento, e esses minutos são críticos: LeBron descansou por apenas um minuto e meio no Jogo 4 após Davis machucar, mas nesse tempo o Lakers foi superado por 6 a 1 e não conseguiu fazer uma única cesta. O Lakers sempre estará em desvantagem sem LeBron, mas minimizar o dano nesses minutos é importante.

A solução aqui pode ser usar mais Montrezl Harrell. O Lakers tem compreensivelmente evitado usar Harrell muitos minutos nessa série; ele também congestiona o garrafão no ataque mas sem trazer a presença física nos rebotes de Drummond, e é um gigantesco alvo na defesa. Em dado momento do Jogo 4, quando Harrell esteve em quadra, o Suns executou OITO ataques seguidos atacando Harrell, e conseguiu uma série de bons arremessos. Mesmo sem Davis, Harrell não pode jogar muitos minutos, especialmente com LeBron em quadra.

Mas, com LeBron no banco, a parceria de Harrell com Schroder pode ser a solução para os problemas ofensivos do Lakers. Por todas suas limitações, Harrell é um ótimo pontuador no garrafão, e o combo Harrell/Schroder funciona muito bem em um jogo a dois. Isso seria semelhante ao que o Clippers fazia com Harrell e Lou Williams, e seus pick-and-rolls pelo menos manteriam o Lakers com algum poder de fogo em quadra sem suas estrelas, e bater esses minutos com o banco do Suns pode ajudar a minimizar os problemas defensivos do pivô.

3. Focar a bola nas mãos de LeBron James

"Coloque a bola nas mãos do melhor jogador da sua geração" não é um ajuste original, mas a verdade é que LeBron tem sido um pouco passivo demais nessa série. Seus 21 pontos em 17 arremessos por jogo são as menores marcas da sua carreira em playoffs, e uma queda grande em relação ao que vimos ano passado. São muitas as posses onde LeBron se encontra marcado por um missmatch como Devin Booker, mas opta por passar a bola ao invés de atacar.

Parte disso é efeito da lesão que tem afetado sua temporada, e os problemas de espaçamento também atrapalham. Mas a verdade é que, sem Davis, LeBron simplesmente vai ter de botar a bola mais embaixo do braço e tomar controle do jogo. LA não pode se dar ao luxo de ter posses nas quais LeBron passa a bola ao invés de atacar um missmatch, ou nas quais James fica parado na zona morta enquanto Kyle Kuzma tenta atacar Ayton de costas para a cesta (sim, isso aconteceu).

Sem Davis, o Lakers não tem criadores e pontuadores suficientes, e LeBron precisa assumir essa carga para controlar o jogo, porque só ele pode fazer isso nesse time. E não apenas pela questão de talento, mas porque o Lakers precisa diminuir o ritmo do jogo um pouco: o Suns acelerou demais o jogo sem Davis, correndo em transição sempre que pegava um rebote mais longo e conseguindo uma penca de pontos fácies em transição - quando não precisam enfrentar a melhor defesa da NBA completamente montada. Concentrar mais o jogo em LeBron e seus ataques no garrafão tende a diminuir turnovers e rebotes longos, permitindo que a defesa se recomponha para tirar a vantagem da velocidade do Suns.

O desafio do Lakers sem Davis é enorme, mas eu aprendi nessa vida a nunca subestimar LeBron James e nem o coração de um campeão. O Lakers está com as costas contra a parede, mas ainda tem opções para usar, e você pode esperar mais alguns ótimos jogos nessa série.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL