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REPORTAGEM

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Thiago Wild herda vaga em Tóquio, mas prefere continuar nos ATPs

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

14/07/2021 17h50

Após muitas desistências, o brasileiro Thiago Wild, atual número 127 do mundo, herdou um lugar no Torneio Olímpico de Tênis dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. O atual número 2 do país, contudo, preferiu não viajar ao Japão. Em comunicado distribuído nesta quarta-feira por sua assessoria de imprensa, o paranaense de 21 anos disse que vem sentindo um incômodo no quadril há três meses e que manterá seu calendário de torneios pelo circuito mundial.

"Não foi fácil abrir mão da Olimpíada que é o sonho de qualquer jogador, mas fomos pegos de surpresa e nesse momento temos que agir com a razão e não com a emoção", diz o tenista no documento.

João Zwetsch, ex-capitão brasileiro na Copa Davis e atual técnico de Wild, disse que não seria ideal viajar até Tóquio com a lesão. "Avaliamos e ponderamos toda a situação. O Thiago vem sentindo um incômodo no quadril que ainda não está zerado. Fora isso, teríamos pouco tempo de adaptação à diferença de piso, viagem e fuso. Ele está há semanas jogando e seria um desgaste e um risco que poderiam comprometer o resto da temporada."

Após ser eliminado do ATP 500 de Hamburgo nesta quarta-feira, nas oitavas de final, Wild pretende disputar o ATP 250 de Gstaad, na Suíça, e o ATP 250 de Kitzbuhel, na Áustria, nas próximas duas semanas. Os dois eventos são jogados no saibro, e Kitzbuhel está marcado para a mesma semana do Torneio Olímpico de Tênis, que será em quadras duras. O comunicado diz ainda que o preparador físico de Wild, Alex Matoso, chegou recentemente a Hamburgo para tratar o atleta.

A chave de simples do Torneio Olímpico de Tênis tem 64 lugares, mas apenas 56 se classificam por ranking, respeitando o limite de quatro atletas por país. É muito raro que um tenista fora dos 120 primeiros do ranking - caso de Wild - consiga uma vaga, mas o número de desistências este ano foi acima do normal. O evento estará desfalcado de muitos nomes de peso, como Rafael Nadal, Roger Federer, Dominic Thiem, Stan Wawrinka, Juan Martín del Potro, Nick Kyrgios e David Goffin. Nem Novak Djokovic, que ainda consta na lista de inscritos, garantiu sua presença até agora.

Coisas que eu acho que acho:

- De modo geral, não acho que ninguém seja obrigado a disputar os Jogos Olímpicos - muito menos no tênis, onde o torneio está longe de ter o valor que existe no basquete ou no vôlei, por exemplo. Não há pontos no ranking nem prêmio em dinheiro, o que explica tantas ausências (claro que a distância até o Japão e o fuso horário não ajudam). Acho que seria uma experiência bacana para Wild, mas entendo sua preferência pela sequência no circuito.

- Em anos olímpicos, o calendário do tênis tem ATPs mais fracos do que o habitual nas semanas entre Wimbledon e os Jogos Olímpicos. Por isso, vários atletas que não têm chance de medalhas preferem ficar no circuito em busca de pontos que podem proporcionar um ranking melhor. É a opção de Wild. Hamburgo já foi um desses torneios, e ele conseguiu furar o quali e ganhar na chave principal. É justo imaginar que ele terá chances em Gstaad e Kitzbuhel.

- O tênis brasileiro tem um cenário peculiar. Aqui é questão de honra defender o país na Copa Davis e na Billie Jean King Cup (ex-Fed Cup). Todo mundo quer jogar ,como todo mundo quis participar dos Jogos Olímpicos do Rio (houve até problemas internos). Logo, é natural que a decisão de Wild e seu time gere uma reação negativa no meio e até entre quem não é muito fã de tênis. O tenista precisa estar pronto para lidar com isso.

- Recentemente, critiquei Bia Haddad neste espaço por não defender o Brasil na Fed Cup. A paulista recebeu muita ajuda da Confederação, inclusive com convites para torneios que ela não conseguiria disputar por causa de sus suspensão por doping. O caso de Wild é bem diferente.

- No lugar de Wild, se fosse divulgar uma decisão dessas, eu nem citaria o problema no quadril. Já que o parananse vai competir em Kitzbuhel, na mesma semana dos Jogos Olímpicos, o que dirão se ele for longe no torneio e mostrando bom rendimento físico? Que o quadril responde bem na Europa, mas não na Ásia? Bastava dizer que a prioridade é ficar no circuito. Se a vontade maior fosse competir em Tóquio, seria simples não competir na semana de Gstaad e fazer o tratamento necessário para estar em melhores condições no Japão. Citar a lesão no comunicado mais confunde do que ajuda a explicar a decisão.

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