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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

5 coisas que Djokovic precisa fazer para bater Nadal em Roland Garros

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

10/06/2021 16h09

Novak Djokovic e Rafael Nadal já duelaram 57 vezes, e o sérvio leva uma vantagem mínima em confrontos diretos, com 29 vitórias. No saibro, contudo, a superioridade é de Rafa, que venceu 19 dos 26 encontros no piso. Em Roland Garros, o espanhol está em outro patamar: são sete vitórias contra apenas uma de Djokovic, que aconteceu seis anos atrás, nas quartas de final da edição de 2015 do torneio parisiense.

Demonstrada numericamente essa soberania de Rafa sobre Nole no saibro de Paris, é preciso lembrar que o sérvio é dono de um feito raríssimo: o triunfo sobre o rival em 2015 significou apenas a segunda derrota do espanhol em Roland Garros. Desde então, o espanhol não foi mais superado no saibro de Paris. Somando esse resultado às outras seis vitórias na terra batida, é possível chegar a uma conclusão inevitável: se alguém tem boas chances de interromper o reinado de Rafa, o atual número 1 do mundo é o homem para isso. Quais seriam, então, as chaves para realizar a hercúlea tarefa?

1. Forehand

Na final do Masters 1000 de Roma, duelo mais recente entre eles e que terminou com vitória de Nadal por 2 sets a 1, Djokovic fez pouco estrago com seu forehand, e a eficiência desse golpe fez falta. Sim, é bem verdade que Rafa busca sempre estabelecer sua superioridade com o forehand (de canhoto) cruzado, buscando o backhand dos adversários, então é esperado que Nole tenha menos chances para agredir com sua direita. No entanto, precisa fazer mais quando as oportunidades se apresentarem. Djokovic tem uma ótima direita angulada que, quando está entrando com frequência, tira Nadal da quadra e força o espanhol a se defender com o backhand. É o melhor caminho para o número 1 do mundo vencer os ralis.

2. Pontos curtos

Aqui entra a importância do saque e de conseguir comandar os pontos desde o começo, o que nunca é tão fácil quando Nadal, devolvendo lá do fundão da quadra, além de reduzir a chance de aces, consegue encaixar retornos cheios de top spin. Isso ficou nítido em Roma, onde Nadal foi muito superior nos pontos mais curtos. O espanhol venceu 50 dos 86 pontos com até quatro golpes na bola. Considerando que toda partida tem mais pontos curtos do que médios (5 a 9 golpes - foram 77 em Roma) e longos (mais de nove golpes - apenas 25 em Roma), Nole precisa ter mais sucesso de maneira mais rápida. Repito: não é fácil, mas é uma necessidade.

3. Paciência na construção de pontos

Como assim? Djokovic precisa ganhar pontos rapidamente e ainda ter paciência? Não exatamente. Caso a tentativa de definir pontos de forma breve não esteja funcionando, uma opção como plano B é alongar ao máximo os ralis. Em Roma, Nole ganhou 20 dos 25 pontos com mais de nove golpes. Ninguém imagina que seja fácil jogar muitos ralis por muito tempo contra o cidadão que venceu Roland Garros 13 vezes, mas se essa for a única opção...

Outro elemento que vale notar neste quesito é que em Roma, Djokovic se recusou a recuar no terceiro set, mesmo diante de devoluções e bolas profundas de Rafa. Insistiu em agredir em bolas de baixa porcentagem, que quicavam alto, e pagou o preço por isso, errando mais. Dar um ou dois passos para trás também pode ser uma necessidade.

4. Devoluções

Sim, Djokovic é o melhor devolvedor do planeta. É quase unânime. Também é consenso que Nole precisará dessas grandes devoluções para agredir Nadal. O espanhol tem vivido altos e baixos com o saque recentemente, e ter o sérvio do outro lado da rede já coloca uma pressão extra. Se os retornos de Djokovic estiverem entrando, não só minimizarão a eficiência do saque+1 de Rafa, limitando seu poder de fogo em pontos curtos, mas também podem "ganhar" algumas duplas faltas como consequência.

5. Backhand na paralela

Flerto com o óbvio neste item, mas é o que Djokovic mais precisa fazer funcionar durante os ralis. É daí que precisa sair a maioria dos winners do sérvio, mas não é só essa a questão. Quando consegue plantar na linha, pegando as bolas de Nadal na subida e atacando na paralela, Nole tira o tempo que Rafa tanto gosta e praticamente força o espanhol a se defender com um backhand na cruzada. Isso, por sua vez, leva o jogo de volta ao forehand de Djokovic e, com ele, Nole pode prender Rafa no backhand pelo resto do ponto.

Coisas que eu acho que acho:

- O favoritismo, como sempre, é de Nadal. A história está de seu lado, assim como o bom nível de tênis que ele vem mostrando em Roland Garros até agora. Ainda assim, Djokovic também vem atuando em altíssimo nível a maior parte do tempo. Os dois oscilaram em medidas parecidas. Pode ser um jogo bem parelho, e será sensacional se assim for.

- Ano passado, Nadal fez seis jogos nada espetaculares, mas registrou uma das melhores atuações da carreira na final contra Djokovic. Por que não acreditar que pode acontecer o contrário este ano, com Nole alcançando um nível espetacular justamente contra Rafa? Será?

- As casas de apostas pagam apenas 1,36 em caso de vitória de Nadal. Um triunfo de Nole paga 3,20. Analiso outras odds e deixo tips diárias no site The Player. Vale a pena dar uma olhadinha lá se você pretende apostar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL