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Entre altos e baixos, Nadal despacha Fognini e vai às quartas na Austrália

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

15/02/2021 03h41

Rafael Nadal teve momentos brilhantes nesta segunda-feira, no duelo com Fabio Fognini, mas também sofreu com o primeiro saque e teve problemas de consistência em outras partes da partida. O número 2 do mundo, contudo, foi melhor em todos momentos importantes, não deixou o italiano jogar seu melhor e, no fim do dia, conseguiu uma vitória confortável por 6/3, 6/4 e 6/2 que lhe garantiu uma vaga nas quartas de final do Australian Open.

Foi a 13ª vitória de Rafa em 17 encontros com Fognini no circuito mundial, mas apenas a segunda em torneios do grand slam. No último encontro deles em um dos maiores torneios do calendário (US Open/2015), o italiano venceu em cinco sets após o espanhol abrir 2 sets a 0. Em busca de seu 21º título de slam em simples, Nadal terá pela frente na próxima rodada o vencedor do duelo entre o grego Stefanos Tsitsipas e o italiano Matteo Berrettini.

Como aconteceu

Agressivo, preciso e sufocante. Foi assim que Rafael Nadal abriu a partida contra Fabio Fognini. Com quatro derrotas para o italiano no currículo, o espanhol sabe o perigo que o rival apresenta quando tem liberdade para escolher as jogadas. Por isso, Rafa começou o jogo agredindo em todas as bolas, desde a devolução, o que lhe rendeu uma quebra já no segundo game. Fognini respondeu com três winners, devolvendo a quebra e diminuindo a vantagem do número 2 para 3/2. Fabio, porém, não conseguiu igualar o placar. Rafa voltou ao ataque, forçando erros do oponente e quebrando mais uma vez para fazer 4/2. Fognini ainda escapou de dois set points no oitavo game, mas Nadal fechou sem problemas em 6/3, com seu serviço. O espanhol terminou a parcial com apenas 42% de aproveitamento no primeiro serviço, mas venceu 71% dos pontos com o segundo saque (contra 37% de Fognini).

A segunda parcial começou com Nadal melhor no saque e ainda pressionando nas devoluções. Fognini, contudo, salvou um break point no início e manteve a parcial equilibrada. No sexto game, Rafa teve seu primeiro game realmente ruim. Com dois erros não forçados e uma dupla falta, perdeu o serviço e viu Fognini abrir 4/2. O número 2, entretanto, reagiu rápido, conquistando mais três chances de quebra (0/40). O italiano salvou as três com ótimos saques (dois aces) e mais um quarto break point, mas cometeu dois erros seguidos e acabou perdendo o game. Com os dois tenistas oscilando, a reta final do set foi uma montanha russa. No oitavo game, Nadal saiu de 0/40, após jogar três pontos ruins, e confirmou seu saque. Em seguida, com 4/4 no placar, Fognini abriu 30/0, mas cometeu quatro erros não forçados seguidos e deu a quebra de presente. O favorito aproveitou e fez 6/4 pouco depois.

Com a vantagem de 2 sets a 0, Nadal voltou a forçar o primeiro saque e voltou a ver seu aproveitamento cair para abaixo de 50%. Nas trocas de bola, porém, Rafa seguia levando vantagem sobre Fognini. Logo no terceiro game, o espanhol conseguiu a primeira quebra da parcial. Fabio já não mostrava nem consistência nem esperança e, no quito game, ao jogar uma direita na rede, perdeu o saque outra vez, vendo Nadal abrir 4/1. Depois disso, foi ladeira abaixo para o favorito.

O que significa

O maior mérito de Nadal na partida foi administrar a vantagem num dia em que Fabio Fognini esteve muito abaixo de seu melhor e cedendo margem para o espanhol vencer sem brilhar. Rafa teve problemas com o serviço, com 42% de aproveitamento de primeiro serviço e 40% no começo do terceiro set. Os números finais mostram 60%, mas só porque o espanhol reduziu a velocidade em alguns momentos. Do fundo de quadra, Nadal foi eficiente, mas nada espetacular. Terminou com 24 winners e 20 erros não forçados.

Um bom sinal: apesar da inconstância, Nadal tentou sacar com mais potência, o que significa que suas costas não estão tão mal assim. Levando em conta as variações, ele terminou o jogo com média de 182 km/h no primeiro saque - sua maior média em todo o torneio.

A parte menos complicada da chave já ficou para trás. De agora em diante, Nadal não deve esperar uma margem tão grande para irregularidade nas partidas. Ele tem dois dias para afiar ainda mais os golpes antes de enfrentar Tsitsipas ou Barrettini, que lhe apresentarão obstáculos interessantes. Se passar, verá Medvedev ou Rublev na semi. Os próximos dias serão quentes.

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