PUBLICIDADE
Topo

Saque e Voleio

Kyrgios fora do US Open: podemos recuperar a economia, mas não as vidas

Reprodução/Twitter/@Uninterrupted
Imagem: Reprodução/Twitter/@Uninterrupted
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

02/08/2020 12h16

O US Open vai acontecer, mas tudo leva a crer que o torneio americano será um dos mais desfalcados da história. A desistência mais recente foi a do australiano Nick Kyrgios, que se junta às números 1 e 2 do mundo, Ashlegh Barty e Simona Halep, respectivamente. Em depoimento em vídeo, lendo uma carta, o tenista de 25 anos, atual #40 do mundo, declarou sua prioridade à saúde e disse que ficará fora do US Open "pelas pessoas, pelos australianos e pelas centenas de milhares de americanos que perderam suas vidas."

Confiram abaixo, seguido de uma tradução livre da íntegra de seu depoimento.

Caro tênis,

Vamos respirar aqui e lembrar do que é importante, que é saúde e segurança como comunidade. Podemos reconstruir nosso esporte e a economia, mas nunca poderemos recuperar as vidas perdidas. Não tenho problema com a USTA por realizar o US Open e se os jogadores quiserem ir, é decisão deles, desde que todos ajam de maneira apropriada e segura. Ninguém mais do que eu quer que as pessoas mantenham seus empregos. Falo pelo cara que trabalha no restaurante, os funcionários da limpeza e dos vestiários. Essas são as pessoas que mais precisam de seus empregos de volta e é justo que eles queiram trabalhar. Mas tenistas, vocês precisam agir no interesse de cada um e trabalhar juntos. Vocês não podem dançar em cima de mesas, receber dinheiro pela Europa ou tentar ganhar uma grana fácil sediando uma exibição. Isso é tão egoísta. Pensem pelo menos uma vez nos outros. Este vírus é sobre isso. Ele não se importa com seu ranking ou com quanto dinheiro você tem. Aja de forma responsável. Aos jogadores que vêm respeitando as regras e agindo de forma altruísta, dou boa sorte. Jogue por sua conta e risco e não tenho problema com isso. Não vou jogar este ano no US Open. Dói na minha alma não estar lá competindo em uma das maiores arenas do esporte, o Estádio Arthur Ashe, mas vou ficar fora pelas pessoas, por meus australianos, pelas centenas de milhares de americanos que perderam suas vidas, por todos vocês. É a minha decisão, gostem ou não, e estes são meus motivos.

Sinceramente,
Nick.

Coisa que eu acho que acho:

- Parabéns, Nick.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.