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Stan Smith, o campeão de Wimbledon que virou sinônimo de calçado

Tenista Stan Smith em loja da Adidas em Herzogenaurach, Alemanha - Getty Images
Tenista Stan Smith em loja da Adidas em Herzogenaurach, Alemanha Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

06/06/2020 04h00

Você, leitor, provavelmente já viu dezenas de pessoas por aí, passeando nos shoppings e nas ruas a bordo de um par de tênis brancos com detalhes verdes. É um modelo clássico. Um dos mais tradicionais da Adidas e hoje faz parte da linha "Originals", que é como a fabricante trata seus produtos mais, digamos, fashion - em contraste com sua linha de performance.

O que pouca gente sabe é que o modelo carrega o nome e a foto do tenista americano Stan Smith, campeão do US Open em 1971 e de Wimbledon em 1972, e a história desse calçado é saborosa tanto nos detalhes das negociações contratuais quanto no inesperado sucesso que já rendeu mais de 50 milhões de pares vendidos e na surpreendente popularidade, que segue firme quase 50 anos depois de adotar o nome de Stan Smith (atual CEO do Hall da Fama do Tênis).

A história do modelo começa em meados da década de 1960, quando a marca alemã chamou de "Adidas Robert Haillet" um de seus modelos de competição. Haillet era um tenista francês que se aposentou em 1971 e deixou o calçado "órfão". Em 1973, a Adidas foi atrás de Smith para nomear o calçado. Além de associar-se ao campeão de Wimbledon do ano anterior, a empresa alemã buscava maior alcance no mercado dos Estados Unidos.

A negociação aconteceu entre Horst Dassler, filho de Adi Dassler, fundador da Adidas, e o ex-tenista americano Donald Dell, que também foi capitão de Copa Davis e, mais tarde, tornou-se um empresário de sucesso (sua empresa, a ProServ, foi quem agenciou Michael Jordan no famoso contrato com a Nike, mas essa é uma história para outra ocasião). No caso de Smith, Dell disse a Dassler: "Você não tem dinheiro suficiente para pagar o Stan."

Em seu livro "Never Make The First Offer", Dell conta que disse aquilo porque era amigo pessoal de Horst e sabia que o empresário ficaria irritado, querendo ainda mais assinar com Smith. A Adidas acabou oferecendo um super contrato para o americano. O acordo incluía até 5% de royalties sobre cada par vendido - algo raríssimo para os padrões da época e que mostrou-se muito lucrativo para Smith, já que o tênis mostrou-se popular não só no mercado de competição, mas como calçado casual.

Funcionário mais antigo

O contrato foi renovado por dez anos no fim da década de 1970, mas já sem royalties. Desta vez, Smith recebeu luvas - um valor fixo pago na assinatura do contrato. Foi um bom negócio para o tenista porque ele se aposentou em 1978. De qualquer modo, como o calçado continuou vendendo bem e o acordo seguiu sendo renovado, Dell estava determinado a conseguir os royalties de volta quando sentou na mesa para negociar com a Adidas em 2005.

Stan Smith Kate Middleton - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

O agente sabia que não tinha muito poder de barganha, então apelou para o emocional. "Você sabia que o Stan é seu funcionário mais antigo? Ele está com a Adidas desde 1972!", argumentou. Não era algo tão convincente assim, e Martin Brewer, o executivo-chefe de licenciamento da Adidas na época, não topou. Mais de seis meses de impasse depois, porém, Brewer delegou a negociação a seu braço direito. Dell fez o mesmo argumento que, desta vez, funcionou. Adidas e Smith assinaram por mais dez anos, incluindo royalties. E Smith, com 61 anos, embolsou mais de US$ 500 mil só de royalties no período.

Marketing pesado em 2014

Uma estratégia interessante da Adidas foi parar de fabricar o Stan Smith em 2012 e 2013. Foi algo combinado com Dell e Smith, que inicialmente ficaram receosos com o plano. No entanto, a marca alemã investiu forte no relançamento do modelo, em 2014, e Stan Smith, o tênis, vendeu mais do que nunca. Na campanha, foram enviados pares personalizados para gente como Ellen Degeneres e Farrell. Até Gisele Bundchen apareceu na capa da Vogue com um par de Stan Smiths (e nada mais!).

O sucesso do calçado continua, mais de 50 milhões de pares vendidos depois. Em dezembro de 2018, a Adidas procurou Dell e ofereceu um contrato vitalício para Stan Smith. O negócio foi fechado, e fabricante lançou um modelo que vinha com a hashtag #StanSmithForever.

A quem interessar, o Stan Smith é fácil de encontrar em lojas de calçados e, obviamente, no site da Adidas. O modelo tradicional e suas variações variam de preço entre R$ 150 e R$ 550.

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