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5 motivos pelos quais Federer é o atleta mais bem pago do mundo

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

30/05/2020 04h00

A Revista Forbes divulgou sua lista anual dos 100 atletas mais bem pagos do planeta e, pela primeira vez, Roger Federer ocupa a primeira posição. É claro que a pandemia do novo coronavírus tem parte da responsabilidade por colocar o suíço no topo, já que atletas como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi sofreram cortes salariais, mas é preciso olhar um pouco além para entender por que o suíço embolsou tanto dinheiro (US$ 106,3 milhões) nos últimos 12 meses.

Federer, aliás, ganhou mais do que Novak Djokovic (23º colocado, com US$ 44,6 milhões) e Rafael Nadal (27º colocado, com US$ 40 milhões) somados, o que impressiona logo de cara porque sérvio e espanhol, atuais números 1 e 2 do mundo, venceram dois slams cada no ano passado - a melhor campanha do suíço foi o vice de Wimbledon. Vejamos, então, alguns dos motivos para esse faturamento excepcional do tenista de 38 anos, atual número 4 do mundo.

1. Dentro de quadra

Obviamente, Roger Federer não é essa máquina de fazer dinheiro só pelos resultados em quadra, mas eles têm seu peso, e seria ingênuo pensar que apenas suas campanhas de 2019 fariam diferença. O suíço é quem é porque conquistou 20 slams, bateu um zilhão de recordes e, por incrível que pareça, ainda é extremamente competitivo aos 38 anos. Não por acaso, esteve a um ponto do título de Wimbledon no ano passado.

Só que os resultados, por mais espetaculares que sejam, não são o único fator nessa conta. O estilo, o jeito Federer de jogar com seus movimentos suaves, encanta o público há uma década e meia. Tudo isso contribui não só para o número obsceno de fãs, mas para a imagem cuidadosamente construída de um cidadão classudo que "desfila" em vez de correr em quadra.

2. Imagem é (quase) tudo

Esse cuidado com a imagem, que teve certa influência de Anna Wintour (Vogue) e incluiu entrar e sair de quadra em Wimbledon vestindo coletes, blazers e calças compridas, transformou o Federer do rabinho de cavalo e das sobrancelhas mal aparadas em um cidadão do mundo, com um estilo próprio. Essa classe atraiu patrocinadores como Mercedes, Rimowa, Rolex, Barilla, Lindt e Möet & Chandon, só para citar alguns (são 13 parceiros ao todo). Em outras palavras, Roger é um Free Shop ambulante, e cada uma dessas marcas paga um valor considerável para se associar ao tenista.

3. Inteligência e ousadia nos negócios

Federer não se acomoda com os patrocinadores. Nem com a quantidade deles nem com os nomes. Romper com a Nike depois de 20 anos foi uma decisão ousada e que, no fim das contas, mostrou-se incrivelmente lucrativa para o suíço. Segundo a Forbes, a Uniqlo paga US$ 30 milhões anuais em um contrato de dez anos e ainda dá liberdade para o suíço assinar um contrato de patrocínio para os tênis que usa em quadra - e isso tudo independentemente de continuar competindo.

A empresa Team8 - uma parceria de Federer com seu agente, Tony Godsick, e outros sócios - também foi uma iniciativa lucrativa. Foi ela que criou a Laver Cup, uma competição de sucesso inquestionável e que hoje faz parte até do calendário oficial da ATP. Mesmo sem dar pontos no ranking, a LC foi palco da fantástica foto com Nadal nos braços de Federer comemorando o título da primeira edição. É uma das imagens mais fortes do tênis nos últimos 20 anos.

É também a Team8 que cuida das exibições do suíço. Na recente turnê pela América Latina, em dezembro do ano passado, Federer embolsou US$ 2,2 milhões por partida. Ele esteve em Santiago, Buenos Aires, Cidade do México e Quito. E um detalhe: a iniciativa da turnê foi da própria Team8, com Godsick entrando em contato com promotores locais e oferecendo a oportunidade de ter o "maestro" em quadra.

4. Livre de polêmicas

Na reportagem da Forbes, o professor de business esportivo David Carter, da USC, afirma que a marca de Federer é "intacta" e é por isso "que aqueles que podem pagar para se alinhar a ele buscam fazer isso". Isso requer não só um comportamento exemplar fora de quadra, mas declarações livres de polêmicas.

O documentário "Last Dance", da ESPN, lembra que Michael Jordan disse, certa vez, que não apoiaria abertamente um candidato democrata porque "republicanos também compram tênis." Foi um comentário supostamente em tom de brincadeira, mas com seu fundo de verdade. Assim como MJ raramente adotou posições fortes na política ou em questões divisoras, Federer costuma sair pela tangente em temas mais "quentes". É do jogo.

5. Extraquadra

Possivelmente tudo citado acima não teria 1/10 do valor se Federer não fosse um mestre do extraquadra. O suíço entende melhor do que ninguém que sua profissão não é só entrar em quadra e fazer uma bolinha amarela passar por cima da rede. Ser um atleta profissional requer cumprir compromissos com patrocinadores, imprensa e fãs.

Federer é impecável em tudo. O nível do conteúdo produzido com os parceiros é altíssimo, seja num comercial classudo da Rolex ou numa foto engraçadinha da NetJets (vide foto acima). Com a imprensa, o suíço domina a arte da entrevista. Ele entende como funciona o trabalho da mídia em geral e nunca se queixa quando precisa fazer um tour pelos programas de TV ao vivo após cada vitória em um slam.

Nas exclusivas, Roger pergunta os nomes dos jornalistas, sorri nas horas certas, responde com educação, manobra inteligentemente o vocabulário (seja em inglês, francês ou alemão) quando não quer ir mais fundo em alguma questão e sabe dar a ênfase certa para direcionar a conversa. Com os fãs, nem se fala. Atende com carinho, sorrisos e atenção, olhando nos olhos.

Quem não daria um balde de dinheiro para um cidadão assim?

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