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Top 5: meus jogos preferidos de Miami

Reprodução/TennisTV
Imagem: Reprodução/TennisTV
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

24/03/2020 04h00

O Miami Open, que começaria esta semana, só voltará a ser realizado em 2021, e o circuito mundial de tênis não retomará suas atividades normais antes do dia 8 de junho - pelo menos. Enquanto isso, volto a postar um Top 5. Nesta semana, listo algumas partidas de Miami que foram importantes para o circuito, mas que tiveram algum significado especial para mim. Não se trata, é bom frisar, de uma lista de melhores.

2002. S. Williams d. Hingis - Quartas de final - 6/4 e 6/0

Não foi a primeira vitória de Serena Williams sobre Martina Hingis, mas talvez tenha sido a mais simbólica. Em 2002, a americana já tinha um slam no currículo - o US Open de 1999, vencido justamente em cima da suíça. Só que naquele encontro de Miami, que também foi o primeiro jogo que eu vi in loco no Crandon Park, Serena ainda não era "a" Serena que se tornaria em breve.

Aquele torneio da Flórida foi o segundo passo para isso. Então com 20 anos, a americana vinha de um título em Scottsdale, onde tinha superado Hingis e Capriati, mas ainda era "apenas" a número 9 do mundo. Em Miami, Serena repetiu os feitos. Bateu, em sequência, as números 3 (Hingis), 2 (Venus) e 1 (Capriati) do mundo rumo ao título.

O duelo com Hingis tem sua relevância especial porque foi uma espécie de divisor de águas. A partir daquele momento, o tênis-força de Serena não seria mais superado por aquela geração. O que se vê no clipe acima é um massacre: Serena distribuindo pancadas e sufocando Hingis, que corria atrás da bola sem conseguir mudar a dinâmica do jogo.

Depois daquele título, Serena venceu, em sequência, Roland Garros, Wimbledon, o US Open e o Australian Open, completando o chamado "Serena Slam". Sua próxima derrota em um slam veio só em Roland Garros/2003, diante de Justine Henin, nas semifinais, por 7/5 no terceiro set. E esse, jogo, em especial, merece ter sua história contada aqui em breve. Aguardem.

2002. Agassi d. Federer - Final - 6/3, 6/3, 3/6 e 6/4

Gosto dessa final por dois motivos. O primeiro, óbvio, é o título de Andre Agassi. AA sempre jogava bem na Flórida. A umidade não lhe incomodava, e sua capacidade de executar batidas "limpas" mesmo em dias de vento lhe dava uma vantagem interessante no Crandon Park. Não por acaso, foi campeão seis vezes por lá (90, 95, 96, 01, 02, e 03).

O outro aspecto que faz este vídeo interessante é poder observar Roger Federer antes de tornar "o" Roger Federer que dominou o circuito de 2004 a 2007. Quase todos aspectos de seu jogo estavam um pouco menos polidos. A direita já fazia seu estrago, mas o suíço ainda precisava amadurecer na escolha de golpes e na preparação dos pontos - algo até normal para um jovem com muitos golpes bons e ainda descobrindo como e quando utilizá-los da melhor maneira possível dentro das muitas situações de jogo.

2004. Nadal d. Federer - R32 - 6/3 e 6/3

Miami também marcou o começo da rivalidade mais interessante das últimas duas décadas do tênis masculino. Era para ser um jogo legal de terceira rodada, mas aquele encontro entre Roger Federer, já número 1 do mundo, e Rafael Nadal, 34º no ranking da ATP, acabou entrando para a história com uma vitória do espanhol em dois sets.

Já vi e revi esse duelo, não só pelo "valor histórico" mas porque ele guarda elementos interessantes do tênis de ambos. Federer, por exemplo, já era o #1 do mundo, mas ainda não havia alcançado o nível espetacular de tênis que mostraria em 2005 e 2006. Seu segundo saque era muito mais "fácil" (notem, por favor, que o uso de "fácil" aqui é feito observando a proporcionalidade das coisas) de atacar do que hoje em dia. Além disso, aquela versão do suíço era taticamente menos hábil e, vez por outra, perdia a paciência por completo ao enfrentar adversários consistentes e que se defendiam bem - algo que Guillermo Canãs demonstraria em 2007 e que Nadal fez por muito tempo.

Ver e rever esse jogo também deixa claro o quanto Rafael Nadal evoluiu em sua técnica ao longo da carreira - pra mim, é o tenista que mais subiu de nível depois de ganhar o primeiro slam. E o VT desse jogo também ajuda a desfazer a lenda de Nadal era apenas um devolvedor de bola, um atleta puramente defensivo no começo da carreira. Enorme bobagem. Se é verdade que Rafa passava a maior parte do tempo se defendendo contra Federer, também é inegável que isso acontecia porque suas bolas tinham menos peso, e o espanhol precisava trabalhar mais os pontos para conseguir se colocar em condição de partir para winners - e isso valia não só contra Federer, mas contra vários tenistas agressivos do circuito.

Este clipe aqui, contudo, mostra o quão agressivo Nadal era quando tinha oportunidade de jogar no ataque. Aquele primeiro jogo em Miami não foi vencido porque Federer cometeu X erros não forçados ou porque o azarão de 17 anos se defendeu loucamente o jogo todo. Quem quiser observar os sete minutos do vídeo linkado acima vai perceber quanto tempo Rafa passou no ataque - inclusive subindo à rede e disparando winner de devolução.

2005. Federer d. Nadal - Final - 2/6, 6/7(4), 7/6(5), 6/3 e 6/1

Um ano depois, a revanche, mas com uma diferença: o jogo valia o título. Os tenistas, é bom que se digam, também não eram os mesmos. Federer já estava na liderança no ranking há um ano. Era um tenista ainda mais confiante em sua capacidade. Rafa também dava sinais de evolução, embora ainda estivesse longe de ser no piso sintético o tenista que viria a disputar cinco finais do Australian Open e outras cinco no US Open.

Miami, contudo, sempre foi uma pedra no sapato de Rafa, que jogou cinco finais lá e perdeu todas. Essa "maldição" começou em 2005, quando o espanhol abriu 2 sets a 0 e teve 4/1 (uma quebra) no terceiro set. Era um jogo mais equilibrado do que o placar sugeria, e bastou uma quebra a favor do suíço para a história mudar. Federer levou a melhor no tie-break do terceiro set e iniciou uma virada furiosa, aproveitando-se de uma queda física do rival, que, aos 18 anos, sofreu com a umidade de Miami.

Foi a primeira vez na carreira que Nadal perdeu um jogo depois de abrir 2 sets a 0. Isso só voltaria a acontecer mais de dez anos depois, com Fabio Fognini no US Open de 2015. Segundo o site Tennis Abstract, Nadal tem 232 vitórias e duas derrotas na carreira depois que abre 2 sets a 0.

2011. Djokovic d. Nadal - Final - 4/6, 6/3 e 7/6(4)

A ascensão de Novak Djokovic rumo ao topo em uma temporada espetacular passou por uma final importantíssima em Miami. O ano anterior foi de Rafa Nadal, que venceu Roland Garros, Wimbledon e US Open, disparando na ponta do ranking. O espanhol era até favorito a fechar o "Rafa Slam" em Melbourne, mas sofreu uma lesão no Australian Open e caiu diante de Ferrer nas quartas de final.

Djokovic, que vinha de título na Copa Davis, venceu aquele AO sem grandes dificuldades, batendo Federer e Murray em sets diretos na semi e na final, respectivamente. O sérvio manteve o embalo e triunfou em Indian Wells, superando Rafa na decisão. O novo encontro em Miami era uma chance de revanche para o espanhol. Para o sérvio, uma oportunidade de mostrar que Indian Wells não havia sido por acaso. O domínio do circuito estava em jogo.

Desta vez, Rafa levou Nole ao limite, mas o sérvio levou a melhor outra vez, com o jogo decidido em um nervoso tie-break, com ambos esgotados fisicamente. O triunfo teve peso não só na pontuação e na arrancada de Djokovic rumo ao topo, mas na questão mental da rivalidade. Nadal sentiu o baque, enquanto Novak se encheu de moral e levou a confiança para o saibro. Ele voltou a superar o rival em Madri e Roma e era favorito ao título de Roland Garros, mas tombou diante de um inspirado Federer nas semifinais - mas isso é papo para outro post, em outro momento…

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