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Roland Garros e Tóquio 2020: a matemática para Thiago Wild se classificar

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Imagem: Fotojump
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

03/03/2020 04h00

Quando Thiago Wild conquistou o título do ATP 250 de Santiago e saltou do 182º para o 113º lugar no ranking mundial, um novo leque de possibilidades se abriu para o brasileiro de 19 anos. No atual posto, já é possível entrar direto em alguns ATPs e brigar por coisas maiores com mais frequência. Mas será que já é possível entrar direto em Roland Garros? E nos Jogos Olímpicos? É sonhar demais pensar na classificação para Tóquio 2020?

Sim, Wild já pode pensar em disputar slams sem precisar do qualifying. Além disso, ir ao Japão não é nada impossível. Para ilustrar estes cenários do novo número 2 do Brasil, este post mostra as contas diante do paranaense.

Roland Garros ao alcance

Disputam a chave principal de Roland Garros os 104 primeiros do ranking mundial que será publicado no dia 13 de abril. Wild, em tese, pode até se classificar para o torneio se mantiver a posição. Para isso, contudo, precisaria contar com nove desistências, o que não é tão comum assim.

Para entrar por conta própria, o brasileiro precisaria somar pouco mais de 50 pontos até 13 de abril. Hoje, o número 104 do mundo é o americano Marcos Giron, que tem 558 pontos. Wild, #113, acumula 507 pontos. Somando 52 nos próximos 40 dias, ele ultrapassaria Giron e tomaria o 104º lugar na lista da ATP - o cenário, obviamente, também depende de subidas e descidas de outros tenistas colocados perto do ponto de corte.

Para chegar a esses cerca de 50 pontos, Thiago teria que acumular, por exemplo, quartas de final em um ATP 250 (45 pontos) e oitavas em outro ATP 250 (20 pontos). Ou, quem sabe, uma semifinal de ATP 250 (90 pontos). Ou, ainda, um título de um Challenger 80 (80 pontos). Outra possibilidade é somar um vice (48 pontos) e uma terceira rodada (7 pontos) em um Challenger 80.

Tóquio 2020: projeção complicada

A vaga para os Jogos Olímpicos é um objetivo mais difícil, e a matemática, mais complicada. O primeiro dilema é não saber exatamente o que será necessário para entrar na chave de simples. As regras dizem que 56 tenistas entram direto, mas há um limite de quatro atletas por país, o que costuma excluir alguns espanhóis, americanos e franceses na zona de classificação.

Além disso, habitualmente há desistências, como a de Dominic Thiem, que não jogou no Rio e já anunciou que não vai a Tóquio (já que os Jogos Olímpicos não dão pontos no ranking nem prêmio em dinheiro), e tenistas vetados de competir por suas federações nacionais. Tantas variáveis deixam o cenário difícil de prever. Em Pequim 2008, por exemplo, o #99 do mundo, Frank Dancevic, entrou direto nos Jogos. Em Londres 2012, que contou com uma chave mais forte, o último a entrar foi Grigor Dimitrov, #72 do mundo. No Rio, em 2016, o #101 do planeta, Nikoloz Basilashvili, entrou direto na chave.

O ranking que vai definir essa lista é o dia 8 de junho. Até lá, Wild tem 10 pontos a defender (pontos conquistados no ano passado e que sairão de sua somatória em breve). Para chegar a 56 do mundo e selar sua vaga sem margem para dúvidas, ele precisaria somar cerca de 400 pontos até junho. É uma tarefa difícil, mas é bastante possível que ele também vá a Tóquio como 70º ou, quem sabe, 80º do mundo. Para ficar entre os 70, Wild tem que somar cerca de 240 pontos até junho. Para alcançar o 80º posto, bastam 200 pontos. Não é fácil, mas para quem surpreendeu em Santiago, somando 250 em uma semana e jogando um tênis de altíssimo nível, nada parece impossível.

Calendário

A equipe de Wild ainda não anunciou mudanças no calendário do tenista após a conquista em Santiago. Nesta semana, ele defende o Brasil contra a Austrália na Copa Davis, em Adelaide. O duelo vale vaga na fase final da competição, que será em novembro, em Madri. As partidas terão transmissão do DAZN na quinta-feira, a partir das 23h30min, e na sexta-feira, a partir de 22h30min (horários de Brasília).

Por enquanto, o próximo torneio do paranaense é o Challenger 50 de Olímpia (SP), que começa dia 16 de março. O torneio distribui US$ 35 mil em prêmios e dá 50 pontos ao campeão. Existe ainda a expectativa de que Wild dispute o Masters 1000 de Miami. O brasileiro tem ranking para entrar no qualifying, que começa dia 23 de março, e pode até receber um convite para a chave principal. Embora seja agenciado pela Octagon, concorrente da IMG, organizadora do torneio, Wild treina na academia Tennis Route, que é patrocinada pelo banco Itaú, que também é o patrocinador máster do Miami Open.

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