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Wild conquista Santiago e se torna brasileiro mais jovem campeão de ATP

Divulgação/Dove Men+Care Open/Jim Rydell
Imagem: Divulgação/Dove Men+Care Open/Jim Rydell

Colunista do UOL

01/03/2020 18h23

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O paranaense Thiago Wild, 19 anos, número 182 do mundo, tinha no currículo apenas duas vitórias em torneios de nível ATP quando aceitou um convite dos organizadores para disputar a chave principal do ATP 250 de Santiago. Entrou como convidado, saiu como campeão. Por 7/5, 4/6 e 6/3, Wild derrubou o norueguês Casper Ruud (21 anos, #38 do mundo) na final e terminou seu domingo levantando o troféu do torneio chileno.

O triunfo faz de Wild o brasileiro mais jovem da história a conquistar um torneio deste nível (desde que existe a atual estrutura de competições, que entrou em vigor em 1990). Ele também se tornou neste domingo o atleta mais jovem desde 2005, quando Rafael Nadal conquistou Acapulco aos 18 anos, a vencer um torneio na chamada Golden Swing, atual sequência sul-americana de torneios no saibro que inclui Córdoba, Buenos Aires, Rio e Santiago. A série de eventos foi criada em 2001, quando o torneio mexicano fazia parte e também era jogado na terra batida.

Wild é o nono brasileiro campeão de simples na história da ATP. Ele se junta a uma lista que inclui Thomaz Koch, Gustavo Kuerten, Thomaz Bellucci, Fernando Meligeni, Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Alberto Kirmayr e Ricardo Mello. Até este domingo, o último título do país tinha vindo com Bellucci, que levantou o troféu do ATP 250 de Genebra em 2015.

Como aconteceu

O começou não foi nada bom para o brasileiro, que errou a mão na agressividade e deu vários pontos de graça para Ruud, que conseguiu uma quebra de saque logo no primeiro game. Wild encontrou o ritmo no segundo game, devolvendo a quebra imediatamente, com três ótimas direitas (um winner e dois erros forçados do oponente).

Ainda assim, Ruud era o tenista mais sólido em quadra. Wild atacava mais e mais cedo nos pontos, mas sem a precisão necessária e acabou quebrado novamente no terceiro game. Por pouco, o norueguês não disparou na frente. No quinto game, o brasileiro teve de salvar cinco break points - um deles, em um rali espetacular (veja abaixo) para seguir perto no placar.

Com o aproveitamento de primeiro serviço beirando os 70%, Wild começou bem a segunda parcial, sem deixar Ruud ameaçá-lo. O brasileiro ainda tinha a vantagem de sacar primeiro, o que colocava certa pressão no norueguês. No oitavo game, depois de um erro de Ruud e uma boa direita de Wild, veio o primeiro momento delicado da parcial no saque do norueguês. O europeu, contudo, saiu de 0/30 para confirmar o saque e igualar o placar em 4/4. Wild lamentou bastante um erro não forçado no 15/30.

No nono game, o brasileiro, enfim, bobeou. Com três erros não forçados em sequência, deu a Ruud a chance de sacar para o set em 5/4. O norueguês não perdeu a chance e confirmou o saque sem perder pontos.

Números de respeito

Além de se tornar o mais jovem brasileiro a conquistar um título de nível ATP, Wild igualou ou quebrou outras marcas de respeito com o triunfo em Santiago. Aos 19 anos, ele agora é o mais jovem a vencer um torneio ATP na chamada Golden Swing (sequência sul-americana de torneios no saibro) desde que Rafael Nadal, aos 18, foi campeão em Acapulco/2005.

O paranaense também se tornou o segundo adolescente a vencer um ATP desde Umag 2017. No período, o único a conseguir isso era o australiano Alex De Minaur, campeão do ATP de Sydney/2019 aos 19 anos. Hoje, De Minaur é o número 25 do mundo. Desde Umag/2017, adolescentes têm um histórico de duas vitórias e nove derrotas em finais de ATP.

Wild agora também é o brasileiro de pior ranking a conquistar um título de nível ATP em todo o calendário (desde 1990, quando o formato atual entrou em vigor). Antes da decisão, Wild já era o brasileiro de pior ranking a alcançar uma final de ATP desde Roberto Jábali, na Cidade do México, em 1994. Naquela semana, Jábali era o #255 do mundo.

Número 182 do mundo no início do torneio, Wild também é o campeão de pior ranking na história da Golden Swing, que foi criada em 2001. O brasileiro já era o finalista de pior ranking antes de entrar em quadra neste domingo.

Colado no top 100

Além de embolsar US$ 101.285 com a campanha em Santiago, Thiago Wild soma 250, praticamente dobrando sua soma atual (277) e terá o melhor ranking da carreira, pertinho de entrar no top 100. Com 507 pontos, o brasileiro vai aparecer na segunda-feira, quando a ATP atualizar sua lista, no 113º posto.

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