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Thiem: amadurecimento à prova em final com Djokovic, o 'dono' de Melbourne

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Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

01/02/2020 04h00

Em 2018, época em que ainda carregava o rótulo de "saibrista", Dominic Thiem se aproveitou de uma chave favorável e alcançou a final de Roland Garros. Com 24 anos, chegou cru para uma decisão contra Rafael Nadal e foi vítima de um atropelo: 6/4, 6/3 e 6/2. O garotão já mostrava enorme potencial, com um tênis agressivo, muita potência nos golpes de direita e esquerda, mas ainda falhava na escolha de golpes. Em certos momentos das partidas, mostrava-se afobado, arriscava em bolas de baixa porcentagem e dava pontos de graça demais aos adversários.

No ano seguinte, a chave não foi tão fácil, mas ele chegou lá outra vez. Thiem bateu Novak Djokovic em cinco sets nas semifinais e reencontrou o rival espanhol na final de Roland Garros. Deu mais trabalho, mas acabou derrotado novamente por Rafael Nadal: 6/3, 5/7, 6/1 e 6/1.

Durante todo esse período, o austríaco também veio, aos poucos, aprimorando e adequando seu estilo de jogo às quadras duras. Chamou atenção seu duelo com Nadal no US Open de 2018. Thiem aplicou um pneu no primeiro set e mostrou um nível altíssimo de tênis, mas perdeu no tie-break do quinto set, depois de 4h49min de partida (veja abaixo).

A temporada 2019 veio para ratificar sua evolução no piso sintético. Em março, conquistou o título do Masters 1000 de Indian Wells ao derrotar Roger Federer na final. Em outubro, conquistou o ATP 500 de Pequim superando, em sequência, Andy Murray, Karen Khachanov e Stefanos Tsitsipas. Thiem também foi campeão do ATP 500 de Viena, mas guardou o melhor para o fim. No ATP Finals, superou Federer, Djokovic e Zverev em sequência.

Veio o Australian Open de 2020, e Dominic Thiem, agora com 26 anos, mostrou seu valor outra vez. Seu estilo já não é mais suicida. A escolha de golpes melhorou, a devolução está mais perigosa do que nunca, a capacidade defensiva continua fantástica, o preparo físico é invejável, e a "nova" agressividade calculada fez estrago na chave. Foi assim que o austríaco computou vitórias em cinco tie-breaks decisivos: três contra Nadal, nas quartas, e mais dois contra Zverev, nas semifinais.

Chega a hora, portanto, do teste máximo para a evolução e o amadurecimento de Dominic Thiem: encarar Novak Djokovic onde o sérvio é letal: em um duelo melhor de cinco sets no piso sintético de Melbourne, onde Nole já foi campeão sete vezes e nunca perdeu uma decisão. O mundo já viu que Thiem pode bater o atual número 2 do mundo. No Finals de 2019, o placar registrou 6/7(5), 6/3 e 7/6(5) para Dominic (veja abaixo). Mas será que o garotão consegue repetir o feito em uma final de slam, em melhor de cinco?

Juventude x Experiência

Aos 26, Thiem não é mais um #NextGen, como a ATP se refere aos atletas mais jovens, da chamada nova geração. Ainda assim, enquanto o circuito segue dominado por Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer, o austríaco é o finalista mais jovem do Australian Open desde 2013. Naquele ano, Djokovic e Andy Murray, ambos aos 25, decidiram o evento.

Hoje com 32, Nole segue mais motivado do que nunca, mirando números de Federer e Nadal. Além de buscar o oitavo título de sua carreira em Melbourne, o sérvio tem a liderança do ranking a seu alcance: vencer a final deste domingo significará ultrapassar Rafa e voltar ao topo. Além disso, será mais um passo rumo ao recorde de títulos de slam em simples. Djokovic já deixou claro que quer superar a marca de Federer. O suíço é o maior vencedor da história, com 20 títulos, e Rafa vem logo atrás, com 19. Nole, por enquanto, tem 16.

Os obstáculos para Thiem não são poucos. Além de mais habituado a decisões, Djokovic tem a melhor devolução de saque do circuito, é mestre na defesa e nos contra-ataques e é consistente como poucos nos ralis. O sérvio também costuma elevar seu nível quando pressionado, seja salvando break points ou jogando tie-breaks perfeitos. Na semifinal contra Federer, Nole saiu de 1/4 e 0/40 para vencer o primeiro set por 7/6(1), perdendo apenas um ponto no game de desempate.

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Não bastasse tudo isso, Djokovic levou para Melbourne um segundo saque "renovado", que vem alcançando médias na casa dos 165 km/h - cerca de 10 km/h mais rápidos que seu "antigo" segundo saque. Com a ajuda do golpe, o #2 do mundo vem vencendo 55% dos pontos com o segundo serviço - e isso mesmo depois de enfrentar um Federer que conseguiu duas quebras de saque e deu trabalho com suas devoluções.

Encarar Djokovic em Melbourne é um dos maiores desafios do tênis atual - quase comparável a duelar com Nadal em Roland Garros. Nenhum dos dois perdeu finais em seus territórios. Thiem tentou duas vezes no saibro de Paris e não conseguiu. Chegou a hora de testar sua maturidade e sua evolução na Austrália. Será, seguramente, uma ocasião para não perder.

A ESPN mostra o duelo a partir das 5h30min (de Brasília) deste domingo.

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