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Klopp vs Guardiola é atração até quando não vale grande coisa

Sterling e Gabriel Jesus comemoram gol do Manchester City sobre o Liverpool - Victoria Haydn/Manchester City FC via Getty Images
Sterling e Gabriel Jesus comemoram gol do Manchester City sobre o Liverpool Imagem: Victoria Haydn/Manchester City FC via Getty Images
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

02/07/2020 18h39

Reduzir o 4x0 a uma suposta ressaca do Liverpool seria ignorar os próprios minutos iniciais da partida, em que o campeão inglês foi superior, imprimiu um ritmo acelerado e criou chances para abrir o placar.

É fato que seria difícil imaginar uma goleada em condições normais, mas os duelos entre Guardiola e Klopp são interessantes em qualquer contexto. Até porque carregam e constroem história a cada capítulo.


Há uma nítida linha do tempo nos confrontos entre os times que dominam os últimos anos na Inglaterra. Até pouco tempo atrás, muitos resumiriam como a intensidade do Liverpool contra a posse de bola do Manchester City. E não estaria errado.

Muita coisa aconteceu desde aquele duelo da Champions League em 2018. Na ocasião, ficou nítido o poder do Liverpool para castigar nas transições, quando o trio Salah, Firmino e Mané era sinônimo de contra-ataque. Perder a bola e oferecer campo aberto era péssimo negócio, e Guardiola percebeu.

Começava ali uma série de ajustes. O City passaria a encarar os duelos de forma pragmática. Ficar com a bola ainda é o princípio, mas trocar passes perto da própria área era novidade. A intenção era não se expor. Agora, o City tentaria atrair a pressão do Liverpool.

Se o Liverpool mordesse a isca e subisse com muitos jogadores, Guardiola esperaria atravessar o campo da forma mais rápida possível. Inclusive com lançamentos do próprio Ederson. O duelo ganha minutos mais monótonos, na opinião de muitos. Compreensível.

No fundo, era um grande jogo de xadrez, influenciado pelas transformações ao longo dos meses. O tempo passou e o Liverpool ficou mais capaz de cadenciar o ritmo. Virou um time extremamente eficiente em cenários de posse de bola. Não por acaso, campeão inglês com uma fantástica campanha.

E por mais que a goleada do City tenha sido apenas um "carimbo na faixa", o duelo também teve seus elementos táticos. Guardiola escalou laterais abertos, e não por dentro. Assim tentou alargar o campo para incomodar a pressão adiantada dos dois trios ofensivos do Liverpool.

Se o meio estaria congestionado, a saída era buscar os lados, atrair marcadores e, aí sim, acelerar por dentro. Ali estaria Kevin De Bruyne, mais avançado, na frente de Rodri e Gundogan. Em vez de participar do princípio da jogada, a ideia era ser acionado já em um segundo momento, podendo explorar Phil Foden e Sterling.

O resultado surpreendeu não apenas pelo 4x0, mas porque era exagerado diante do equilíbrio visto na maior parte dos primeiros 45 minutos. Mesmo diante das novidades táticas, são sempre detalhes.

Claro que é natural argumentar que o Liverpool não teve o mesmo interesse ou concentração, mas isso só se aplica após ficar atrás no placar. Para o segundo tempo, tudo bem.

Não ofusca os muitos méritos ou diminui o tamanho da festa para quem quebrou 30 anos de jejum. Mas mexe nos números de um time que ainda pretende quebrar mais recordes nas rodadas finais.