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Rafael Oliveira

Luis Henrique e a incrível falha na observação de jogadores... em 2020!

Luís Henrique é apresentado pelo Olympique de Marselha - Divulgação
Luís Henrique é apresentado pelo Olympique de Marselha Imagem: Divulgação
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

03/12/2020 15h44

André Villas-Boas falou abertamente: "Precisamos de um 9 e cometemos um erro, pois Luis Henrique não é um jogador que atuará na posição".

O atleta em questão é o jovem brasileiro que saiu do Botafogo há poucos meses. Mas assusta que um clube importante da Europa cometa uma falha tão grosseira na avaliação de uma contratação. Em 2020!

O que não falta é ferramenta para acompanhar e avaliar as características de qualquer jogador em qualquer campeonato pelo planeta.

E não é culpa do jogador. Luis Henrique saiu valorizado do país. Ganhou protagonismo no Botafogo e, no início do Brasileirão, era peça fundamental nos contra-ataques de Paulo Autuori.

Luis Henrique tem potencial e é natural que sua arrancada desperte interesse de clubes europeus. A vantagem para colocar na frente e superar adversários na base da explosão é uma característica interessante para um garoto de 18 anos.

O grande problema foi imaginar que alguém com tal perfil fosse chegar ao Olympique de Marselha como alternativa imediata a Darío Benedetto, centroavante argentino.

Nada impede que o brasileiro se transforme ao longo da carreira, mas hoje não é o centroavante imaginado. Jamais poderia chegar como solução para uma função que nunca exerceu como profissional. Pelo contrário. É um jogador de lado e que funciona melhor com espaços para correr. Totalmente diferente de um 9 que recebe de costas, preenche a área ou atua por dentro.

A pergunta que fica é: como, em 2020, uma comissão técnica só descobre tudo isso depois que o clube já investiu uma considerável quantia no jogador?

Toda transferência tem seus riscos. Desde a adaptação cultural, passando pelo contexto tático coletivo e as ideias de jogo implantadas por cada treinador. Mas a sinceridade de André Villas-Boas ao falar do erro cometido no mercado mostra um equívoco inaceitável nos dias atuais.

E não se trata de acompanhar ou não o futebol brasileiro. Vários clubes europeus possuem equipes específicas responsáveis por mapear e observar jogadores nos outros continentes.

O erro é dos grandes. Resta ver como isso afetará o desenvolvimento ou o espaço de Luis Henrique, um bom e jovem ponta que foi parar na França como um 9 que nunca foi.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.