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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que os carros da Fórmula 1 estão quebrando tanto em 2022?

Charles Leclerc, da Ferrari, lamenta problema no carro e abandono de prova - Reprodução Web: // LLUIS GENE / AFP
Charles Leclerc, da Ferrari, lamenta problema no carro e abandono de prova Imagem: Reprodução Web: // LLUIS GENE / AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

24/06/2022 04h00

Até parece um campeonato de décadas atrás: após apenas nove etapas disputadas em 2022 na Fórmula 1, os três primeiros pilotos no campeonato tiveram dois abandonos cada por quebras. Ano passado, por exemplo, Max Verstappen e Lewis Hamilton não ficaram de fora de nenhuma etapa por quebra do carro. Muita coisa mudou de lá para cá, com um equipamento totalmente novo estreando nesta temporada, mas será que só isso explica a quantidade de problemas?

A pergunta é ainda mais válida se lembrarmos que a maioria destes problemas foi relacionada à unidade de potência e as regras gerais dos motores seguem as mesmas desde sua introdução em 2014. A Red Bull do líder Verstappen e do vice-líder Sergio Perez teve um problema de captação do combustível na primeira corrida, o que causou um abandono duplo. Verstappen ainda ficaria de fora do GP da Austrália por uma falha na mangueira de combustível e Perez abandonou no Canadá com um problema de câmbio. Já o terceiro colocado no campeonato, Charles Leclerc, teve duas quebras de motor com a Ferrari.

Ou seja, não é exatamente o carro novo da Fórmula 1 que está tendo problemas, o que mostra que a situação é mais complexa do que dizer que há mais quebras porque o regulamento é novo.

Por um lado, como a aerodinâmica foi refeita, assim como alguns sistemas como a suspensão, cujas regras também mudaram, internamente o carro também teve de ser repensado. As equipes dizem que basicamente só o volante é igual ao do ano passado. Isso aumenta a chance de algumas partes não estarem bem refrigeradas (a Alfa Romeo, por exemplo, teve alguns problemas neste sentido) e algumas peças também podem estar sofrendo mais com trepidações do que antes por estarem montadas de maneira diferente.

Outra mudança importante foi no combustível, cuja mistura passou a ter 10% de etanol. Isso trouxe mais desafios para os fornecedores do que era esperado, com um comportamento que varia mais de acordo com a temperatura.

Mas há também um outro ingrediente importante. É neste ano que os fornecedores de motores podem fazer as últimas atualizações de performance nas unidades de potência até o final de 2025. Isso significa que principalmente quem estava mais atrás, Ferrari e Renault, teve que arriscar. Até porque mudanças para melhorar a confiabilidade são permitidas, então valia mais a pena focar na performance e depois corrigir possíveis falhas que viessem a aparecer.

É esse o momento que ambas as fornecedoras vivem. A Ferrari já teve três problemas diferentes entre a equipe principal e os clientes, e a Alpine teve quebras no início do campeonato e, na última etapa, no Canadá, voltou a sofrer com o motor no carro de Fernando Alonso.

O calendário bastante intenso também dificulta o entendimento do que deu errado e a reação mais rápida. Embora tenha o mesmo número de etapas do ano passado, a F1 tem uma programação mais apertada porque o campeonato termina antes da Copa do Mundo de futebol começar, ou seja, no final de novembro, três semanas antes do que a temporada de 2021. Desde a sexta etapa, que foi disputada na Espanha, até o final, em Abu Dhabi, as corridas serão disputadas em pares ou trios. Então, nas próximas 21 semanas, serão realizadas todas as 13 etapas restantes da temporada 2022.