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REPORTAGEM

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F1 tem uma briga tão apertada quanto Max x Lewis entre gigantes do esporte

Charles Leclerc, da Ferrari, na frente de Daniel Ricciardo, da McLaren, durante o GP dos EUA - Divulgação/Scuderia Ferrari Press Office
Charles Leclerc, da Ferrari, na frente de Daniel Ricciardo, da McLaren, durante o GP dos EUA Imagem: Divulgação/Scuderia Ferrari Press Office
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

28/10/2021 10h44

A briga entre Max Verstappen e Lewis Hamilton, e entre Red Bull e Mercedes, não são as únicas em que é difícil apontar um favorito na Fórmula 1 nesta temporada. Um pouco mais atrás, Ferrari e McLaren travam uma batalha ainda mais apertada, atualmente dividida por 3.5 pontos a favor do time inglês, e que também tem tido suas reviravoltas.

Na primeira metade do ano, a McLaren parecia mais consistente, andando bem em vários tipos de circuito, porém apenas nas mãos de Lando Norris, uma vez que Daniel Ricciardo tinha dificuldades de adaptação. A Ferrari, por sua vez, era mais dependente de certos tipos de circuito, mais travados, e não costumava andar bem no calor, mas ambos os pilotos eram muito consistentes.

Na volta da pausa de agosto, a partir do GP da Bélgica, Ricciardo começou a andar bem, e a temporada teve uma sequência de pistas que eram mais favoráveis à McLaren. Quando eles aproveitaram a oportunidade de fazer uma dobradinha em Monza, a impressão era de que as chances de a Ferrari lutar pelo terceiro lugar entre os construtores tinham acabado, mas não é isso o que tem sido visto.

mclaren monza - Lars Baron/Getty Images - Lars Baron/Getty Images
12.09.21 - Vencedor do GP de Monza, Daniel Ricciardo, cumprimenta o companheiro de equipe Lando Norris, que ficou com a segunda posição
Imagem: Lars Baron/Getty Images

A Scuderia avançou consideravelmente com o novo motor que estreou na Rússia com Leclerc, e na Turquia com Sainz, e voltou a ganhar terreno em relação à McLaren, que agora reconhece não ter mais o terceiro melhor conjunto do grid. "Estamos devendo em relação às Ferrari, em classificação e corrida", disse Lando Norris após ver Leclerc desaparecer em quarto lugar e Sainz só não chegar na frente das duas McLaren devido a um erro nos boxes, em uma pista que, no papel, era melhor para o time inglês do que para o italiano. "Eles não são mais rápidos em todos os lugares, mas têm um carro mais consistente e com melhor dirigibilidade."

A má notícia para a McLaren é que o time já está há algum tempo totalmente focado no carro de 2022 e tem de lutar com as armas que já possui. "Não temos atualizações nem do lado do carro, nem da unidade de potência", reconheceu o chefe Andreas Seidl. "Sabemos que algumas pistas que vêm pela frente serão melhores para o nosso carro, mas também há pistas em que vamos ter dificuldades em relação à Ferrari."

Do lado da Scuderia, também não houve muitas mudanças ao longo do ano, mas eles optaram por fazer três atualizações às quais o carro respondeu bem, como explicou Leclerc. "Todas as novidades nos ajudaram a evoluir e isso é bom para o futuro. Esse era o objetivo, mas ainda é difícil saber se o que estamos fazendo é o certo pensando na próxima temporada."

Leclerc se refere ao quanto essa evolução pode ajudar no objetivo da Ferrari de voltar a brigar por vitórias em 2022, quando a F1 passará por uma extensa mudanças de regras, ou seja, o que for feito no carro deste ano não surte tanto efeito. Pelo menos a evolução no motor será importante, já que ele não muda e seu desenvolvimento será, inclusive, congelado.

Voltar a vencer também é o horizonte da McLaren e não é por acaso: essa briga apertada pelo terceiro lugar coloca frente a frente as equipes mais vencedoras da história da F1 - são 20 títulos combinados entre pilotos e construtores para os ingleses, e 31 para os italianos.

O próximo capítulo dessa disputa será na semana que vem, no GP do México.