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Troca de motor de Lewis mostra preocupação da Mercedes, e Max tem dia ruim

Lewis Hamilton, na abertura dos treinos da F-1 em Istambul, nesta sexta-feira - Mercedes
Lewis Hamilton, na abertura dos treinos da F-1 em Istambul, nesta sexta-feira Imagem: Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOLu

08/10/2021 13h33

A Mercedes confirmou nesta sexta-feira que Lewis Hamilton usará seu quarto motor a combustão a partir do GP da Turquia e, com isso, vai largar 10 posições atrás do que conseguir na classificação para a 16ª etapa da temporada, que começa às 9h da manhã deste sábado pelo horário de Brasília. A decisão de fazer essa troca neste momento e a opção de substituir apenas uma das seis partes da unidade de potência dão algumas dicas do desafio que a Mercedes está enfrentando nesta temporada.

Sabe-se que até mesmo unidades de potência com baixa quilometragem da Mercedes têm tido problemas, o que já afetou suas clientes e até mesmo a própria equipe: Valtteri Bottas acabou usando três motores a combustão diferentes nas quatro últimas provas. A primeira troca, na Bélgica, já era programada. A segunda, na Itália, foi puramente tática, e justamente essa unidade que estreou em Monza apresentou problemas, identificados na classificação do GP da Rússia, e gerando uma nova troca. Quando este motor foi enviado de volta à fábrica, entre os GPs da Rússia e da Turquia, ficou constatado que a peça não poderia ser mais utilizada.

Hamilton também tinha trocado seu motor na Bélgica. Na corrida seguinte, na Holanda, ele perdeu sua unidade de potência mais antiga, com a qual tinha feito seis finais de semana completos no começo do ano e, a partir da sétima etapa, apenas treinos livres. Este motor estava mesmo no final de sua vida útil.

O motor que estreou na Bélgica fez Holanda, Itália e Rússia (já que o GP da Bélgica acabou tendo apenas três voltas devido à chuva) e, portanto, não precisaria ser trocado agora. Mas este temor em relação à confiabilidade ajuda a explicar a troca, especialmente porque só o motor a combustão, que foi o componente que apresentou problemas para Bottas, foi trocado.

E também há outro fator: o motor Mercedes perde mais potência ao longo de sua vida útil do que o Honda da Red Bull de Max Verstappen, grande rival de Hamilton nesta temporada. E o holandês está com um motor novo, trocado na última corrida, na Rússia. Na ocasião, a Red Bull, que perdeu uma unidade de potência devido ao acidente entre Hamilton e Verstappen na Inglaterra, efetuou a troca completa. Com isso Verstappen largou em último. Como Hamilton só trocou o motor a combustão, a perda é de apenas 10 posições.

E deve ficar por isso mesmo, como explicou o chefe de engenharia da Mercedes, Andrew Shovlin. "Nós simulamos todas as corridas até o final do ano e há o risco de um problema de confiabilidade. É claro que a última coisa que você quer é ter uma quebra durante uma corrida e depois ter de sofrer a punição de qualquer maneira. E também há uma questão de performance porque as unidades de potência perdem um pouco de potência durante seu ciclo de uso. A peça que mais contribui para a questão da confiabilidade e da performance é o motor a combustão mesmo."

Hamilton começa bem e Verstappen sofre com o carro

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Max Verstappen em ação na Turquia, nesta sexta, com pintura em homenagem à Honda
Imagem: Dan Mullan/Getty Images/Red Bull

Já sabendo que precisará fazer uma corrida de recuperação, Hamilton ficou animado com o equilíbrio do carro durante os treinos livres - ambos, liderados por ele. "Já chegamos com uma base muito boa para o acerto do carro. Na parte da tarde, a pista mudou um pouco, mas estou confiante que podemos estudar os dados e melhorar o carro para a classificação. Eu preciso fazer a pole para limitar os danos."

O clima era bem diferente na Red Bull. Tanto Verstappen, quanto Sergio Perez reclamaram bastante do comportamento do carro ao longo das duas sessões, mesmo usando configurações de asa traseira bastante diferentes (com o mexicano usando a asa de menor pressão aerodinâmica). A Red Bull parecia não conseguir fazer os pneus dianteiros funcionarem e, na tentativa de corrigir isso, passou a sobrecarregar os traseiros, de maneira semelhante ao que aconteceu na última vez que eles tiveram dificuldade com o acerto do carro, na Hungria. "Nós tentamos algumas coisas, mas a sensação não foi boa. Essa pista é diferente porque não temos muitos dados sobre ela, então será uma noite longa para entender o que aconteceu porque não foi o melhor dos dias."

Para complicar ainda mais a situação, a previsão é de chuva para a noite de sexta para sábado, o que lavaria a borracha da pista, e também para o horário da classificação. Já para o domingo, a previsão é de tempo encoberto, mas sem chuva no momento.

Hamilton lidera o campeonato com dois pontos de vantagem para Verstappen. Quando o holandês trocou seu motor e largou em último, na Rússia, conseguiu chegar em segundo.