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REPORTAGEM

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Mercedes e rivais condenam ataques racistas a Hamilton após batida polêmica

Hamilton venceu o GP da Grã-Bretanha - Darko Vojinovic - Pool/Getty Images
Hamilton venceu o GP da Grã-Bretanha Imagem: Darko Vojinovic - Pool/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

19/07/2021 06h45

A Fórmula 1, a Federação Internacional de Automobilismo e a Mercedes se juntaram em um comunicado condenando os ataques racistas que Lewis Hamilton sofreu nas mídias sociais após a polêmica batida com Max Verstappen durante o GP da Grã-Bretanha, no último domingo (18). Ao criticar a atitude do inglês no lance, ocorrido na primeira volta da corrida e que acabou fazendo com que Verstappen tenha que ter passado pelo hospital para exames, inúmeros comentários tinham conotação racista, com emojis de macaco e outras ofensas. A equipe de Verstappen, a Red Bull, apoiou publicamente o comunicado.

Hamilton foi considerado culpado pela batida e foi punido com 10s, mas mesmo assim venceu a corrida e tirou 25 pontos em relação a Verstappen no campeonato, diminuindo a vantagem do holandês para oito pontos.

"Durante e após o GP da Grã-Bretanha, Lewis Hamilton foi sujeito a muitos ataques racistas nas mídias sociais depois de uma colisão durante a prova. A Fórmula 1, a FIA e a Mercedes condenam esse comportamento da maneira mais forte possível. Essas pessoas não têm lugar em nosso esporte e pedimos que elas sejam responsabilizadas pelos seus atos. A Fórmula 1, a FIA e os pilotos estão trabalhando para construir um esporte com mais diversidade e inclusão, e esses ataques online devem ser salientados e eliminados."

A Red Bull publicou em suas mídias sociais que, "embora sejamos rivais na pista, estamos todos unidos contra o racismo. Condenamos ataques racistas de qualquer tipo contra nossa equipe, nossos rivais e nossos torcedores. Estamos enojados e tristes ao ver os ataques racistas sofridos por Lewis nas mídias sociais após a colisão com Max. Não há desculpa para isso, e certamente não há lugar para isso em nosso esporte. Quem estiver por trás disso precisa ser responsabilizado."

A Honda, que fornece motores para a Red Bull, também se pronunciou contra os ataques, assim como a Aston Martin, a McLaren e outros times.

Como foi o lance polêmico

A colisão do domingo é o ponto mais crítico da rivalidade entre Hamilton e Verstappen, neste que é o primeiro ano desde 2014 em que a Mercedes enfrenta uma equipe que consegue bater o time consistentemente.

Em Silverstone, os dois vinham em uma batalha dura na primeira volta até que Hamilton tentou uma ultrapassagem por dentro da curva Copse, feita a 280km/h. Verstappen, que estava à frente, não cedeu e fez a curva normalmente, e seu pneu traseiro direito bateu com o dianteiro esquerdo de Hamilton. O carro de Verstappen foi jogado à barreira de pneus, batendo com uma força de 51G, enquanto Hamilton continuou na prova. Os comissários entenderam que o inglês foi o culpado porque o holandês deixou um espaço de mais de um carro pelo lado de dentro, e o puniram com 10s.

Após a prova, Hamilton disse que não gostava de vencer desta maneira, mas disse que isso não tirava o brilho de sua vitória e não se desculpou pelo acidente, apontando que "quando alguém é muito agressivo, essas coisas acontecem".

Verstappen não gostou nada de ver Hamilton comemorando a vitória enquanto ele ainda estava passando por exames no hospital, chamando a atitude de antidesportiva, e reclamou que a pena "não condiz com a manobra perigosa de Lewis na pista".