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Williams completa 750 GPs como time que privilegiou engenheiros a campeões

Nigel Mansell (GBR), piloto da Williams no Grande Prêmio da Itália de 1991 - Pascal Rondeau/Getty Images
Nigel Mansell (GBR), piloto da Williams no Grande Prêmio da Itália de 1991 Imagem: Pascal Rondeau/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

21/05/2021 07h10

Quem for procurar o que grandes engenheiros da Fórmula 1 como Patrick Head, Adrian Newey, Ross Brawn e Paddy Lowe têm em comum, vão chegar em uma equipe: a Williams, que está comemorando 750 GPs neste final de semana, em Mônaco. O time, que hoje luta para sair da última colocação do campeonato, o que tem amargado desde 2018, ficou marcado nos anos 1980 e 1990 pelo pioneirismo e pelos carros refinados. E também por priorizar a engenharia e não os pilotos. Tanto, que Frank Williams ficou conhecido como um chefe duro, que não pensava duas vezes nem para dispensar campeões do mundo.

Nelson Piquet, Nigel Mansell, Alain Prost, Damon Hill: todos eles foram campeões do mundo pela Williams e, por um motivo ou por outro, acabaram saindo da equipe no ano seguinte a seus títulos. Em toda a história do time inglês, Alan Jones e Keke Rosberg foram os únicos pilotos a defenderem os títulos mundiais que conquistaram pela Williams na equipe de Grove. Isso no começo dos anos 1980, quando a estrutura que levaria o time a se tornar uma das maiores vencedoras da história da Fórmula 1 ainda estava se montando. A exceção à regra foi Jacques Villeneuve, que chegou a ficar na Williams em 98, no ano seguinte ao título, em 97, mas logo depois saiu.

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Ayrton Senna, Frank Williams e Damon Hill na apresentação do carro de 1994
Imagem: Divulgação

Frank Williams já era um nome conhecido na Fórmula 1 nos anos 1970, e chegou a perder tudo depois que vendeu seu time para Walter Wolf, que logo o demitiu. Mas isso não desanimou o britânico, que decidiu começar do zero mais uma vez, contando com a ajuda de um jovem engenheiro chamado Patrick Head, o qual ele já tinha contratado para ser projetista-chefe na ex-equipe. A parceria entre os dois se tornou uma das mais famosas da história da F1, e definiu o caráter da Williams: de um lado, a boa visão de negócio de Frank (incluindo aí a noção de que não valia muito a pena pagar salários exagerados para campeões) e, de outro, o foco em engenharia de ponta trazido por Head.

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Adrian Newey (esq) e Patrick Head (dir) no box da Williams em 1994
Imagem: Arquivo

Essa combinação fez com que a Williams se tornasse um celeiro de grandes engenheiros. Logo no primeiro ano da equipe, em 1977, um jovem chamado Ross Brawn foi contratado e subiu rapidamente de cargo dentro do time, chegando à parte de pesquisa e desenvolvimento e trabalhando no início da tecnologia do túnel de vento. Brawn se tornaria um dos maiores vencedores da história, com títulos com a Benetton, Ferrari e com sua própria equipe, que foi o embrião do que é a Mercedes hoje.

Outro nome que fez história na Fórmula 1 e que tem uma forte relação com a Williams é Adrian Newey. O britânico tinha sido demitido da Leyton House no final de 1990 e, no time de Grove, uniu forças com Paddy Lowe, que desenvolvia um projeto que seria decisivo para o sucesso do time nos anos seguintes: ele era o chefe da parte de eletrônica, que cada vez mais tomava conta dos carros naquela época. Foi da união de Lowe com o projeto de Newey, sob a supervisão de Head, que surgiu o FW14B, que até hoje é considerado o carro mais tecnológico já feito na F1. Suspensão ativa, transmissão semi-automática, controle de tração, um sistema que impedia que os freios travassem: os carros da Williams de 1992 e 1993 eram tão superiores que, não apenas permitiram que Nigel Mansell e Alain Prost conquistassem títulos com bastante facilidade, como também fizeram com que Ayrton Senna dissesse que aceitaria correr até de graça pela Williams. Quando o brasileiro foi para o time inglês, contudo, a FIA decidiu banir estes sistemas eletrônicos.

O time ainda conquistou outros dois mundiais, em 1996 e 1997, após esse banimento. Porém, aos poucos, a Williams foi perdendo suas mentes brilhantes: Newey e Lowe foram para a McLaren, e também foram campeões por lá. E Head se aposentou no final de 2011. E, em agosto do ano passado, a família Williams vendeu o time para um grupo de investimentos norte-americano Dorilton Capital e também o braço de engenharia da equipe que trouxe tanta inovação para a F1.