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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Após 4 GPs na F1, Mazepin coleciona broncas dos rivais e tem ritmo fraco

Piloto russo Nikita Mazepin durante sessão de fotos na pré-temporada da Fórmula 1 em 2021 - Joe Portlock/Getty Images
Piloto russo Nikita Mazepin durante sessão de fotos na pré-temporada da Fórmula 1 em 2021 Imagem: Joe Portlock/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

11/05/2021 04h00

A temporada da Fórmula 1 só teve quatro corridas até aqui, mas o estreante Nikita Mazepin já conseguiu ser criticado por boa parte do grid pela forma como se comporta na pista. Só no último final de semana, na Espanha, o russo atrapalhou Charles Leclerc e Lance Stroll nos treinos livres, Lando Norris na classificação e foi criticado por Kimi Raikkonen e novamente por Leclerc na corrida.

"Mazepin não faz a mínima ideia do que está fazendo", disse um irritado Stroll depois de levantar o dedo do meio para o russo durante o último treino livre antes da classificação. A situação ilustra bem o que tem irritado os pilotos: mesmo andando mais lento na pista, Mazepin não abriu a trajetória da curva 3, a mais rápida do circuito, e Stroll ficou sem saber se teria espaço para passar ou não. "Ele nunca vai aprender", diziam Leclerc e Raikkonen após lances parecidos na corrida.

stroll - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Lance Stroll mostra dedo do meio para Nikita Mazepin nesse sábado de F1
Imagem: Reprodução/Twitter

Esse tipo de comportamento já fez com que o russo levasse uma punição no GP de Portugal, por desrespeitar bandeiras azuis. Elas indicam para o piloto que o carro que vem atrás não está lutando por posição com ele, e sim que está uma volta na frente, e são mostradas quando a diferença fica menor do que 1s2. Se um piloto atrapalhar muito o outro ou ignorar a bandeira azul por três vezes, é punido.

Menos de uma semana depois, no sábado do GP da Espanha, Mazepin levou outra punição, por atrapalhar a volta rápida de Lando Norris. Na ocasião, o russo vinha atrás de dois carros que seguiam lentos porque estavam entrando nos boxes, e decidiu ultrapassá-los na chicane ao mesmo tempo em que a McLaren vinha em volta rápida.

Não é a primeira vez que ele atrapalha um piloto em classificação, desrespeitando um acordo que existe entre os pilotos de não tentar forçar ultrapassagens ou sair da fila quando se está preparando uma volta. O piloto de 22 anos saiu ultrapassando pilotos que preparavam suas voltas rápidas logo em sua primeira classificação, no Bahrein, depois de rodar em sua primeira tentativa, e na corrida seguinte, em Imola, colocou seu carro lado a lado com Antonio Giovinazzi quando os dois abriam sua última volta rápida.

Se por um lado Mazepin é um estreante e ainda tem muito a aprender, por outro ele não acredita que esteja errado. "Acredito que alguém tenha perguntado sobre o acordo de cavalheiros naquele lance da última curva do Bahrein. Acho que aquele foi o exemplo de que isso não funciona na F1. Eu realmente estava tentando cumprir isso, desde que fiquei sabendo. É muito difícil quando dois carros te ultrapassam entrando em uma curva que é muito lenta e apertada em que, pelo comprimento do carro, que é de 5 metros e meio, não dá para caber três carros ali, e especialmente se um quarto carro está vindo acelerando. Não achei que ficar atrás era uma opção porque minha roda traseira esquerda ficaria na trajetória. A única opção era acelerar, e foi isso que eu fiz. É chato porque não havia nada que eu pudesse fazer a não ser desaparecer."

A explicação não convenceu nem Norris, nem os comissários, e Mazepin agora já soma dois pontos de punição em quatro corridas. Quando um piloto chega a 12 em um período de 12 meses, é suspenso por uma corrida. Ele já levou uma suspensão na carreira, por ter dado um soco em Callum Ilott quando os dois estavam na Fórmula 3. O britânico hoje é reserva da Ferrari.

Desempenho não ajuda

mazepin bahrein - Bryn Lennon/Getty Images - Bryn Lennon/Getty Images
O carro abandonado pelo piloto russo Nikita Mazepin no GP do Bahrein, no primeiro acidente da temporada 2021
Imagem: Bryn Lennon/Getty Images

O quinto colocado na Fórmula 2 no ano passado vem sofrendo para se adaptar à Fórmula 1. Pilotando pela Haas, que tem o pior carro do grid e que é uma equipe com menos estrutura - não tem um simulador próprio, por exemplo - ele não está conseguindo acompanhar o ritmo nem de seu companheiro de equipe, Mick Schumacher, que também faz sua estreia.

Schumacher é piloto da academia da Ferrari e usa o simulador do time italiano, além de ter feito vários testes com carros mais antigos, respeitando o regulamento, mas isso não é o suficiente para explicar uma diferença média entre os dois na definição do grid que chega aos 0s6. E mais: em quatro corridas disputadas, só Schumacher e George Russell superaram seus respectivos companheiros todas as vezes. Nas corridas, Mazepin bateu na prova de estreia e terminou as outras três, mas sempre atrás de Schumacher, campeão da F2 ano passado.

No último fim de semana, na Espanha, o russo disse que o comportamento do carro mudou muito do sábado para o domingo. "Nossa dificuldade na classificação era com a rotação do carro no meio da curva, e isso se tornou uma saída de traseira extrema na corrida. Não sei se foi porque o vento mudou."

Mas pelo menos uma coisa joga a favor de Mazepin: mesmo com o desempenho fraco e a já pouca popularidade com os outros pilotos, sua vaga não corre risco, já que o investimento de uma das empresas de seu pai, a Uralkali, contribuiu em grande parte para que a Haas tenha permanecido no grid e possa investir em um carro completamente novo para 2022, quando a F1 passará por uma mudança de regras.

E o próximo teste de Mazepin será difícil: o GP de Mônaco é a próxima etapa, nas apertadas ruas de Monte Carlo. Ele já andou por lá em 2019, seu primeiro ano de Fórmula 2, e foi relativamente bem, pontuando nas duas provas. A quinta etapa do campeonato será dia 23 de maio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL