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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pilotos de casa nova na F1 sofrem para se adaptar após teste com só 3 dias

Sebastian Vettel teve um começo complicado na Aston Martin - Divulgação/Aston Martin
Sebastian Vettel teve um começo complicado na Aston Martin Imagem: Divulgação/Aston Martin
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

16/03/2021 04h00

Os testes de pré-temporada da Fórmula 1, muito mais curtos do que o normal —três dias ao invés dos oito normalmente realizados—, foram como um batizado de choque para os pilotos que estão mudando de equipe ou retornando à categoria neste ano.

Enquanto Daniel Ricciardo e Fernando Alonso pareciam em casa na McLaren e Alpine, respectivamente, Carlos Sainz (Ferrari) e Sergio Perez (Red Bull) reconhecem que ainda não estão totalmente adaptados a seus novos times. E Sebastian Vettel, agora na Aston Martin, foi quem teve o começo de ano mais difícil de todos.

O alemão foi o piloto que menos andou durante os testes: fez 117 voltas no total, 49 a menos do que Kimi Raikkonen, por exemplo, conseguiu dar apenas no último dia da pré-temporada. Vettel perdeu muito tempo por uma falha elétrica no turbo e, quando perguntado do que precisava para estar mais à vontade com o carro, respondeu: "100 voltas a mais?"

A Aston Martin foi o carro que mais mudou de 2020 para 2021, já que a equipe acabou podendo fazer alterações com as quais teria que gastar quatro fichas de desenvolvimento, ou seja, o dobro do que os rivais podiam. Isso porque eles mudaram a transmissão e suspensão traseira sem gastar suas fichas, já que são clientes da Mercedes e compraram o mesmo conjunto traseiro com o qual os heptacampeões correram no ano passado. E, além disso, foi a única equipe a homologar um novo monocoque. É por isso e pela falta de tempo de pista que Vettel não acredita que chegará pronto à primeira prova, dia 28 de março, no mesmo palco dos testes, o Bahrein. "Acho que, para nós, as primeiras corridas vão ter, especialmente para mim, uma curva de aprendizado grande."

A Aston Martin foi uma das equipes que não focaram em fazer o que os engenheiros chamam de saídas de performance, ou seja, usando configurações semelhantes às de classificação, então, isso ajuda a explicar por que Vettel só não rodou mais lento que Roy Nissani, piloto de testes da Williams.

Outro time que preferiu focar em saídas mais longas e com mais combustível foi a Alpine de Fernando Alonso, que está de volta à F1 após dois anos. O espanhol fechou os testes com o décimo tempo e, logo de cara, em seu primeiro dia na pista depois de sofrer um acidente de bicicleta e ter duas placas de titânio implantadas na mandíbula há pouco menos de um mês, fez 127 voltas. "A sensação com o carro foi muito boa", disse o bicampeão.

Mas ninguém parecia tão confortável de casa nova como Daniel Ricciardo, recém-chegado à McLaren. "Não sei o que poderia ter sido melhor. Nós fizemos tudo o que tínhamos programado", falou o novo piloto da equipe que vem com motor Mercedes nesta temporada e soluções aerodinâmicas que chamaram a atenção no carro. Ricciardo fechou os testes em oitavo, mas liderou o primeiro dia. "Ainda não estou 100% adaptado ao carro, mas estou chegando bem perto".

O otimismo do australiano contrasta com Carlos Sainz, que disse que "com certeza não" vai chegar totalmente pronto à primeira corrida do ano. "Toda volta que estou fazendo, vou me sentindo mais à vontade com o carro", afirmou o espanhol. No final do último dia de testes, ele conseguiu uma volta rápida em configuração de classificação e se colocou em quarto lugar, apontando para uma melhora significativa da velocidade de reta do carro da Ferrari, seu calcanhar de Aquiles do ano passado.

perez - Divulgação/Red Bull - Divulgação/Red Bull
Sergio Perez assinou por um ano com a Red Bull e faz sua estreia no GP do Bahrein
Imagem: Divulgação/Red Bull

Outro piloto que ainda não está se sentindo tão à vontade é Sergio Perez, da Red Bull. O mexicano disse que o RB16B é muito diferente do carro da Racing Point e, por isso, acredita que demorará cerca de cinco corridas para se adaptar totalmente. "Quando formos para corridas bem diferentes, com condições distintas, dá para entender o carro e a equipe muito melhor. Então acho que daqui a cinco corridas, corridas de verdade, o nível deve estar bom", afirmou o piloto. Ele foi o mais rápido da pista quando fez sua simulação de classificação, no final da manhã do último dia de testes. Sua marca só foi superada no final da tarde, quando as condições de pista eram muito melhores.

Apenas três das dez equipes do grid mantiveram suas duplas de pilotos para a temporada 2021. Além dos pilotos que estão trocando de equipe e de Alonso, a F1 terá três estreantes neste ano: o japonês Yuki Tsunoda, na Alpha Tauri, e os pilotos da Haas Mick Schumacher e Nikita Mazepin.