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Mercedes chega a recorde de 7 títulos seguidos na F1 cheia de incertezas

Lewis Hamilton e Toto Wolff celebram sétimo título mundial da Mercedes - Steve Etherington/F1 Pool
Lewis Hamilton e Toto Wolff celebram sétimo título mundial da Mercedes Imagem: Steve Etherington/F1 Pool

Colunista do UOL

02/11/2020 04h00

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A Mercedes conquistou o sétimo título consecutivo de construtores, algo ímpar nos 70 anos de história da Fórmula 1, com alguns desafios pela frente. O time viu no início do ano a saída de Andy Cowell, chefe da divisão de motores, provavelmente a grande responsável pelo domínio do time desde que a unidade de potência V6 turbo foi adotada em 2014, e ainda não tem duas de suas outras estrelas, Lewis Hamilton e Toto Wolff, confirmadas para continuar no time.

Logo após a conquista, Hamilton inclusive disse não saber no momento se vai renovar seu contrato, ainda que Wolff tenha creditado isso ao cansaço em uma temporada atípica, com 13 corridas em pouco menos de quatro meses. "Não acho que ele vai parar e não espero que isso aconteça. Acho que foi algo que ele falou de momento, com a emoção aflorada. Porque estamos muito contentes e muito cansados ao mesmo tempo", afirmou Wolff.

"Não sentimos - e nisso eu e Lewis somos muito parecidos - que era o momento certo de sentar e conversar antes que os campeonatos estejam decididos. Mas vai chegar um momento em que vamos sentar e temos alguns meses antes que o campeonato do ano que vem comece."

Antes de o austríaco falar com a imprensa em Imola, Hamilton tinha filosofado sobre o futuro: "Eu gostaria de estar aqui ano que vem, mas não tenho certeza. Há muitas coisas que me empolgam sobre a vida que terei depois de aposentar. Há muitas coisas na minha cabeça no momento."

É fato que os dois têm uma relação muito boa e são duas peças importantes no sucesso da equipe, e até por isso Wolff disse que está tendo dificuldade em imaginar qual é o passo seguinte para um time tão vencedor por tanto tempo.

"Sempre fui da opinião de que você nunca deve ir de ser muito bom para ser bom, porque é então que alguém pega o bastão e sai correndo",disse Wolff, que, especialmente após a morte de Niki Lauda, com quem dividia as responsabilidades da equipe, vem dando sinais de que busca um parceiro ou mesmo um sucessor.

O austríaco explicou que já discutiu com a chefia da Mercedes a possibilidade de tornar-se presidente (Lauda era presidente não-executivo) ou ter outro tipo de cargo que não dependa que ele esteja tão ativamente ligado à equipe, mas ele primeiro quer deixar alguém em seu lugar, então nenhuma decisão foi tomada.

Segredos e dúvidas

A saída de Cowell foi a primeira grande perda de uma equipe que se manteve bastante estável em seu corpo técnico ao longo dos anos, e os alemães têm se esforçado para impedir que o inglês e todo seu conhecimento vão parar nas mãos dos rivais.

Além da preocupação com os profissionais que permitiram que a equipe fizesse história na Fórmula 1, há também questões financeiras: A Daimler, que é proprietária da Mercedes, anunciou recentemente que vai cortar 20% de seus gastos mundiais, e o investimento no projeto da Fórmula 1 chegou a ser colocado em dúvida. O teto de gastos que vai ser colocado em prática ano que vem ajuda neste sentido, mas ele não inclui o que é investido no desenvolvimento da unidade de potência, apenas na equipe.

A F1 também está adotando medidas que, na prática, vão diminuir a capacidade de a Mercedes dominar a partir de 2022, com o escalonamento de tempo de desenvolvimento aerodinâmico dependendo da posição no campeonato, ou seja, quem terminar mais à frente terá direito a menos tempo no túnel de vento. Ainda que isso não deva ter um efeito significativo de um ano para o outro, a tendência é que a vantagem da Mercedes não volte a ser o que é hoje tão logo.

É claro que a expectativa é de que eles continuem muito fortes no ano que vem, já que não há tantas mudanças de regulamento e será apenas o primeiro ano de todas estas limitações impostas. A grande dúvida é como ficará esse domínio a partir de 2022, com as novas regras, e talvez sem que suas estrelas estejam tão envolvidas no projeto como nestes brilhantes sete títulos.