PUBLICIDADE
Topo

Pole Position

Asfalto liso e chance alta de Safety Car prometem complicar GP de Portugal

Lewis Hamilton e Valterri Bottas durante a classificação para o GP de Portugal - Pool/Getty Images
Lewis Hamilton e Valterri Bottas durante a classificação para o GP de Portugal Imagem: Pool/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

24/10/2020 14h25

Lewis Hamilton conquistou a sua pole position de número 97 da carreira e no 29º circuito diferente na Fórmula 1, desta vez em Portugal, na primeira vez que a categoria corre em Portimão. Mas estes são dois recordes que ele já bateu há tempos: o inglês de 35 anos está indo em busca de uma marca ainda maior neste domingo. A de maior vencedor dos 70 anos de história da categoria.

Para chegar no 92º triunfo e superar Michael Schumacher, no entanto, o próprio Hamilton reconhece que não vai ter vai ter vida fácil. A própria classificação, decidida nos detalhes, já foi prova disso. A estratégia mais habitual, de apostar em saídas com apenas uma volta rápida e com pneu macio, acabou sendo mais lenta que a aposta feita pelo hexacampeão, de ir para a pista com o carro mais pesado, com combustível para duas voltas rápidas, e ainda por cima com os pneus médios - em teoria, meio segundo mais lentos que os macios. Em Portimão, as teorias foram deixadas de lado, e Hamilton espera que mais surpresas aguardem os pilotos na corrida que tem largada às 10h10 da manhã, pelo horário de Brasília.

"É uma das pistas mais desafiadoras em que já corri. O asfalto é bem estranho, muito liso, e é mais difícil colocar temperatura nos pneus. Além disso, há várias curvas cegas e às vezes é difícil saber para onde você tem de ir. E também pode ser que chova amanhã, o que faria com que o domingo se tornasse o pior dia do final de semana, com chuva e vento. Tenho que estar aberto a todas as possibilidades."

Pneus duros demais

O GP de Portimão não só faz sua estreia no calendário, como também foi um dos escolhidos para repor as corridas que tiveram de ser canceladas devido ao coronavírus, então todo o tempo de preparação foi menor do que o normal. E foi depois que a Pirelli escolheu levar seus três compostos mais duros para Portugal que a administração do circuito resolveu asfaltar o circuito. Essa nova superfície é mais lisa e menos madura, o que faz com que a escolha da Pirelli seja conservadora demais. Isso significa que os três compostos acabam sendo duros demais, e estão dificultando a vida dos pilotos, que não sentem a aderência necessária.

Cada carro está reagindo de um jeito. As Mercedes parecem mais à vontade com o pneu médio, as Ferrari também, e por isso a opção de Hamilton, Bottas e Leclerc (quarto no grid) foi largar com este composto, mesmo sabendo que ele pode demorar mais para aquecer que o pneu macio de Verstappen. O problema do holandês é que essa aderência a mais do pneu macio que ele teria em teoria não está se confirmando. "Quando eu cheguei aqui, achei que seria uma pista super divertida para se pilotar. Por causa desse asfalto e do vento, não estou me divertindo muito no momento."

Times sem dados suficientes

É difícil até prever o número de paradas, embora todas as equipes foquem em fazer apenas um pit stop. Quando é difícil para os pilotos manterem os pneus na zona ideal de temperatura, é normal eles reclamarem pedindo para os times mudarem de estratégia, porque é muito difícil um pneu ganhar temperatura de volta depois de sair da zona em que funcionam melhor. E, do lado das equipes, vai ser difícil escolher atender ou não aos pedidos dos pilotos pela falta de dados: na segunda sessão de treinos livres, disputada na tarde de sexta-feira, ou seja, em horário similar ao da corrida, a primeira meia hora teve de ser dedicada aos testes dos pneus de 2021 da Pirelli, e o restante foi atrapalhado por duas bandeiras vermelhas. Ou seja, ninguém conseguiu fazer uma simulação de corrida normal. E ninguém tem dados de anos anteriores.

Grande chance de Safety Car

Essas bandeiras vermelhas geram outro alerta aos times (e deixam a estratégia em aberto): a possibilidade de a corrida ter um Safety Car é bastante grande, por uma combinação de fatores. A já citada falta de aderência do asfalto aumenta o risco de rodadas, as áreas de escape têm brita e os fiscais de pista têm sido mais lentos para a retirada dos carros. E a temporada até aqui tem mostrado que a direção de prova tem optado por cobrir situações de perigo na pista com Safety Car normal, ao invés de usar a outra possibilidade prevista no regulamento, o Safety Car Virtual.

Possibilidade de chuva

No final da tarde de sábado em Portugal havia 70% de chance de chuva para o domingo, justamente para o período da tarde (a largada está marcada para as 13h10 pelo horário local). Não se sabe como o asfalto novo reagiria à chuva, já que não há experiência anterior para pilotos e equipes, e isso também diminuiria a temperatura da pista e traria mais dor de cabeça para os pilotos.

O GP de Portugal é a 12ª etapa do campeonato da Fórmula 1 e pode selar o heptacampeonato da Mercedes no mundial de construtores caso a diferença para a Red Bull chegue a pelo menos 220 pontos. No momento, ela é de 180, então os carros pretos precisam estar no pódio e torcer para um domingo ruim para Max Verstappen e Alex Albon.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.