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Vivendo o ano mais duro da carreira, Leclerc diz que nunca aprendeu tanto

Leclerc é oitavo colocado no campeonato após nove etapas - REUTERS/Albert Gea
Leclerc é oitavo colocado no campeonato após nove etapas Imagem: REUTERS/Albert Gea
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

17/09/2020 04h00

A temporada de 2020 tem sido a mais dura de Charles Leclerc, e isso não apenas levando em consideração sua carreira na Fórmula 1: desde que ele começou a correr no kart, em 2005, o monegasco sempre lutou por campeonatos, ou pelo menos colecionou vitórias (como no europeu de F3 em 2015) ou mostrou serviço pontuando bem com um time de menor expressão, no caso de seu ano de estreia na F1, em 2018, pela Alfa Romeo.

O fato é que ele nunca viveu uma temporada tão difícil como a atual campanha da Ferrari: mesmo tendo conquistado dois pódios com uma pitada de sorte, após nove etapas ele é, de longe, o piloto que mais marcou pontos pela Scuderia (49 pontos, contra 17 do tetracampeão Sebastian Vettel), mas ainda assim não passa de oitavo na tabela.

Falando ao UOL Esporte, Leclerc disse estar aprendendo mais em uma temporada tão difícil do que quando estava no topo.

"Definitivamente é um cenário muito diferente em comparação com o ano passado", disse o piloto de 22 anos, que fez sua primeira temporada com a Ferrari em 2019, conquistando duas vitórias e seis poles. "Estamos tendo muita dificuldade como equipe neste ano. Mas acho que você aprende mais quando está passando por momentos como este. Não é o momento dos mais fáceis e estamos trabalhando duro para voltar ao topo, mas com certeza cresci muito nesta temporada."

De fato, Leclerc já demonstrou evolução em dois pontos: seu ritmo de corrida não era tão forte quanto o de Vettel ano passado, e ele tinha a tendência a aceitar quaisquer estratégias propostas pela equipe durante a corrida. Em 2020, ele tem tido mais voz ativa e decidiu, por exemplo, seguir a tática de uma parada que lhe deu o pódio no GP da Grã-Bretanha.

Para ele, o mais difícil é se motivar para lutar por objetivos mais modestos. Mas, ao mesmo tempo, acredita que voltar a fazer a Ferrari vencer tem que ser seu objetivo. "Cabe a nós manter a cabeça alta e seguir motivados - o que é o mais difícil no momento. Mas tenho que dizer que, só de pilotar pela Ferrari, já é uma fonte de motivação e por isso sigo muito motivado para ir bem e mudar a situação. Estou em uma parceria a longo prazo com a equipe e quero virar o jogo."

Reação da Ferrari deve demorar

O chefe Mattia Binotto já deixou claro que, dificilmente, a situação vai melhorar de forma significativa até 2022, quando a F1 muda de regulamento. Isso porque o carro foi concebido, durante o ano passado, para contar com um motor muito potente, como o que a Scuderia tinha em 2019 e, por isso, a opção foi por tentar gerar mais pressão aerodinâmica nas curvas com o custo de se ter um pouco mais de arrasto nas retas.

Mas as rivais da Ferrari pressionaram a Federação Internacional de Automobilismo a avaliar o motor italiano e, após uma longa investigação e um acordo sigiloso com a entidade, a unidade de potência da Ferrari passou a render bem menos. A perda é calculada pelos rivais como de até 70 cavalos, fazendo com o que era o melhor motor da F1 no ano passado agora seja o pior.

Em uma temporada normal, a Ferrari teria a chance de atualizar seu motor e fazer diversos tipos de mudanças no carro, que tem problemas conceituais. Mas, por conta da covid-19, a fim de diminuir os gastos, a F1 limitou as mudanças nos motores a atualizações de confiabilidade, tanto para 2020, quanto para 2021, ou seja, a Ferrari só vai poder voltar a ter um motor competitivo em 2022.

Além disso, há várias limitações para o que pode ser modificado nos carros ao longo de uma temporada. É possível trazer novas peças aerodinâmicas, mas o que a Ferrari colocou no carro até agora não trouxe diferença significativa.

A Scuderia não vence um campeonato desde que conquistou o título de construtores de 2008. O último título de pilotos foi em 2007, com Kimi Raikkonen. Primeiro fruto da academia de pilotos ferrarista, na qual entrou em 2016, ano em que foi campeão na GP3, Leclerc tem contrato com a equipe até o final de 2024.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.