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Após chamado de Hamilton, pilotos da F1 quebram silêncio sobre racismo

Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

01/06/2020 06h39

Único piloto negro do grid da Fórmula 1 e primeiro da história da categoria, o hexacampeão Lewis Hamilton intimou o mundo do automobilismo a se manifestar publicamente contra o racismo e gerou a reação de vários pilotos do grid.

Em meio a uma série de postagens a respeito das manifestações que estão sendo realizadas nos Estados Unidos depois de a polícia ter matado George Floyd durante uma abordagem em Minneapolis. Isso trouxe de volta o slogan #BlackLivesMatter (vidas negras importam, em inglês), que já tinha sido usado em casos parecidos, que têm se sucedido nos Estados Unidos. Junte-se a isso o fato dos afro-americanos serem a etnia mais afetada pelo coronavírus e serem os mais suscetíveis a perder empregos em meio à pandemia, e a morte de Floyd se tornou um grande movimento, com protestos inclusive fora do país.

No mundo do automobilismo, contudo, foi necessário que Hamilton se pronunciasse de maneira bastante dura para que outros pilotos publicassem mensagens de apoio ao movimento. "Eu vejo vocês que estão em silêncio, algumas das maiores estrelas, que, mesmo assim, ficam em silêncio em meio à injustiça", disse Hamilton. "Nenhum sinal de ninguém da minha indústria que, logicamente, é um esporte dominado por brancos. Eu sou um dos poucos pilotos negros lá, mas mesmo assim eu me levanto sozinho".

"Eu achava que agora, após ver o que está acontecendo que vocês diriam algo sobre isso, mas vocês não nos apoiam. Saibam que eu sei quem vocês são e eu vejo o que vocês fazem".

A reação foi imediata. Lando Norris, Daniel Ricciardo, Charles Leclerc, George Russell, Nicholas Latifi, Sergio Perez e Carlos Sainz publicaram mensagens de apoio. "Para ser totalmente honesto, me senti meio deslocado e pouco confortável para dividir o que pensava sobre isso nas mídias sociais", reconheceu Leclerc. "É por isso que não me expressei antes. E estava completamente errado. Ainda tenho dificuldades para encontrar palavras para descrever a atrocidade de alguns vídeos que vi na internet. É preciso que racismo seja recebido com ações e não silêncio."

Daniel Ricciardo foi outro que reagiu após o 'chamado' de Hamilton. "Agora, mais do que nunca, precisamos estar unidos. Racismo é tóxico e precisa encontrar ações e não silêncio. Precisamos de unidade de ações. Precisamos ser "nós", ser pessoas melhores."

Recentemente contratado pela Ferrari, o espanhol Carlos Sainz lembrou que o automobilismo "é um esporte global que envolve profissionais e torcedores de todas as partes do mundo. Trabalhamos juntos e com muita harmonia para entreter a todos e espalhar uma mensagem de fair play e unidade. Condeno todo tipo de racismo e todo tipo de injustiça."

A diversidade no automobilismo tem sido uma bandeira levantada fortemente por Lewis Hamilton especialmente no último ano. O inglês tem cobrado da federação internacional que sejam criadas plataformas para garantir que o esporte seja mais inclusivo.

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