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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Como o técnico do sub-20 do Corinthians virou assistente no Cavaliers

Vitor Galvani, técnico do Corinthians Sub-20 de basquete e auxiliar no Cleveland Cavaliers - Arquivo Pessoal
Vitor Galvani, técnico do Corinthians Sub-20 de basquete e auxiliar no Cleveland Cavaliers Imagem: Arquivo Pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/07/2022 04h00

Gui Santos não é o único brasileiro na Summer League, torneio de prospecção de jovens talentos da NBA. No banco de reservas do Cleveland Cavaliers, atuando ao lado de J. B. Bickerstaff, técnico da equipe principal, está um brasileiro de apenas 29 anos, Vitor Galvani.

Treinador da equipe sub-20 do Corinthians e assistente do time adulto alvinegro no NBB, ele se acostumou a acumular funções. Passou em processo seletivo para ser auxiliar da seleção adulta e recentemente se tornou o treinador principal das seleções de base. Sob seu comando, o Brasil recuperou seu lugar no basquete do continente. Ganhou o Sul-Americano Sub-18 e, no mês passado, foi vice da Copa América da modalidade, perdendo apenas para os EUA.

"Depois da nossa boa participação tanto no Sul-Americano quanto na Copa América, o Aylton Tesch, que é o agente que traz jogadores brasileiros para a NBA, levantou essa possibilidade. Como ele era o agente do Anderson [Varejão] e conhecia o pessoal daqui, falou com eles, e aí surgiu o convite para compor a comissão durante a Summer League", contou Galvani.

Esse tipo de oportunidade é comum dentro do basquete norte-americano. Na comissão do Cavaliers, além dos funcionários do time principal e do Cleveland Charge, equipe satélite que joga a D-League, também estão Galvani, outros três assistentes convidados, e mais 10 observadores.

Mas, na história, só outros três brasileiros tiveram chance semelhante: Tiago Splitter, que faz parte da comissão do Brooklyn Nets desde 2018, Gustavo de Conti, que já havia disputado quatro finais de NBB quando auxiliou o Nets em 2019 e hoje é o técnico da seleção brasileira, e José Neto, pentacampeão nacional e ouro do Pan com a seleção feminina quando recebeu chance na mesma franquia em 2021. Só peixe grande.

Galvani tem consciência que a oportunidade é um grande feito para sua carreira, mas mantém os pés no chão. "Por enquanto é para aprender e levar pro Brasil. Todo mundo tem esse desejo de vir para a NBA, mas não é minha ideia. O Corinthians me ajudou muito, me apoiou para que eu viesse. Sempre me perguntam se não quero assumir adulto. Adoro trabalhar na base, desenvolvimento de atleta. Entendo que um dia talvez eu precise buscar esse espaço no adulto, até por necessidade financeira, mas estou muito contente onde estou. Tenho abertura muito grande na comissão do Leo", diz o auxiliar, citando o técnico do time principal do Corinthians, Léo Figueiró.

Em sua primeira experiência na NBA, que ainda está no começo, Galvani diz ter encontrado conceitos técnicos muito parecidos com o que já vê no Brasil. "Por ter essa experiência com o Gustavo na seleção, dá para dizer que em termos de tática, leituras, está muito semelhante, muito semelhante mesmo. Muitas das coisas que tão trabalhando aqui eu vi com o Gustavo na seleção", diz ele.

A diferença gritante é no volume de treino. "Eles têm um olhar para isso. Todo dia tem parte técnica para o atleta. Eles chamam de vitamina, porque é uma coisa que você precisa todo dia. O atleta sabe que vai ter que fazer treino técnico. Tem clube brasileiro fazendo isso, contratando mais técnico para fazer isso, mas ainda é muito diferente. É uma coisa que quero levar para o Brasil".

Jogador até os 19 anos, Galvani largou o basquete para seguir a vontade dos pais e estudar Engenharia. Entrou na Federal de Santa Catarina e, entre uma aula e outra, passou a ajudar nos treinos do Joinville, que então tinha como técnico exatamente José Neto. Estimulado pelo hoje treinador da seleção feminina, ingressou em Educação Física enquanto ainda terminava Engenharia. Quando se formou na segunda faculdade, assumiu como técnico do sub-17 de uma equipe de Campinas, de onde pulou para o Corinthians. Este ano chegou à seleção.

"Tem sido um ano indescritível para mim. Poder ter essa oportunidade de trabalha na seleção adulta com as pessoas que estão na seleção adulta. Eu admiro muito o trabalho que eles têm, a proposta para a seleção. E conquistar o que a gente conquistou na base, com a comissão, com o Bruno Porto, do Minas, que me ajudou para caramba em ambas as competições, foi incrível. Esse convite me deixou muito feliz e ter o entendimento do clube que me paga o ano inteiro, entende isso, sou muito grato por estar vivendo o que estou vivendo", destacou.