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REPORTAGEM

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Técnico do basquete nega apoiar homofobia após curtir posts homofóbicos

José Neto comanda a seleção brasileira feminina na final contra os Estados Unidos - Alexandre Loureiro/COB
José Neto comanda a seleção brasileira feminina na final contra os Estados Unidos Imagem: Alexandre Loureiro/COB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

29/10/2021 11h52

Técnico da seleção brasileira feminina de basquete, José Neto respaldou comentários de teor homofóbico do jogador de vôlei Maurício Souza, envolvido em polêmica nos últimos dias. No Instagram, o treinador curtiu ao menos três postagens recentes do ex-central do Minas Tênis Clube, a quem passou a seguir recentemente.

Procurada pela coluna, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) diz que procurou o técnico depois de saber das curtidas e que ouviu dele que ele não "compartilha" da homofobia.

"Ao tomar conhecimento do fato envolvendo o técnico José Neto, da Seleção feminina de basquete, que curtiu posts nas redes sociais de um atleta desligado por posição intolerante, a CBB entrou em contato com o treinador, que garantiu não compartilhar de discursos homofóbicos", comentou a entidade.

"A CBB é uma entidade inclusiva e democrática, livre de preconceitos ou discriminação por cores, credos, gêneros ou origens. Somos apartidários, apolíticos e não aceitamos manifestações homofóbicas. Em nossas seleções, nos orgulhamos de todos os atletas que vestem essa camisa pesada, prestes a completar 88 anos de história", continuou a confederação, que tem Guy Peixoto como presidente e Magic Paula como vice.

Neto, que segue os perfis de diversos bolsonaristas, como Alexandre Garcia, Bia Kicis e Mario Frias, curtiu três posts de Maurício depois que ele foi dispensado pelo Minas. O primeiro, em que o jogador diz que vai seguir seu caminho "plantando o que acredita". Depois, um post em que o personagem do Superman aparece beijando a personagem Mulher Maravilha, em uma crítica ao fato de o novo Superman ter se assumido bissexual. Foi essa crítica, tida como homofóbica, que levou à demissão de Maurício.

Por fim, Neto curtiu mensagem em que Maurício diz que "qualquer coisa fala que não seja o que eles aprovam, você é homofóbico e preconceituoso" e reclama que "a tolerância do outro lado é zero".

Maurício tem recebido apoio de atletas e ex-atletas como Nenê, fervoroso bolsonarista, e Rafael Hettsheimer, ambos com passagens importantes pela seleção brasileira de basquete. Tiago Camilo, Thiago Pereira (ambos medalhistas olímpicos e líderes do movimento de atletas no COB) e Bernard Rajzman (membro brasileiro do Comitê Olímpico Internacional) também têm apoiado o jogador de vôlei demitido por homofobia.