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Caio Souza vai a duas finais no Mundial de Ginástica; Nory fica fora

Caio Souza disputou a final do salto da ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio - Ricardo Bufolin/CBG
Caio Souza disputou a final do salto da ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio Imagem: Ricardo Bufolin/CBG
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/10/2021 11h39

O Brasil vai disputar duas finais masculinas no Mundial de Ginástica, ambas com Caio Souza. O atleta do Minas Tênis Clube, ginasta mais completo do país atualmente, se classificou para a final do individual geral, assim como na Olimpíada, e também nas barras paralelas, pela primeira vez na carreira.

Por conta da pandemia e do adiamento das Olimpíadas para 2021, o Mundial está sendo disputado no mesmo ano dos Jogos e, pela proximidade de datas, recebeu a inscrição de poucos atletas de renome. A competição acontece em Kitakyushu, no Japão, em meio à campanha do japonês Morinari Watanabe pela reeleição à presidência da Federação Internacional de Ginástica.

Diferente das principais seleções, no masculino e no feminino, o Brasil não levou novos nomes ao Mundial, para aproveitar a oportunidade para dar experiência a eles. A comissão técnica optou por convocar apenas Rebeca Andrade, entre as mulheres, e Arthur Nory e Caio Souza entre os homens. Luis Porto chegou a ser convocado também, mas depois foi cortado porque a comissão técnica entendeu que ele não estava no nível técnico que se imaginava — as seletivas foram online.

Apesar do baixo nível técnico do Mundial, o Brasil só conseguiu uma final por aparelhos, com Caio, que tirou 14,800 nas barras paralelas e entrou para a final com a oitava e última vaga. Como comparação, a nota de corte para pegar vaga na final olímpica nesse aparelho foi 15,325, meio ponto a mais.

Caio tinha também expectativa de fazer de novo final no salto, repetindo o que ele conseguiu na Olimpíada, Mas ele só acertou o primeiro salto, com nota 14,666, errando o segundo, que lhe valeu 13,500. Terminou com média 14,083, em um modesto 20º lugar. Nas argolas, onde vem crescendo, terminou em 14º, a meio ponto da final, com 14,033. Se repetisse o desempenho do Brasileiro, realizado há três semanas, avançaria em segundo.

Na soma dos seis aparelhos, Caio conseguiu vaga na final do individual geral, que vai acontecer na sexta-feira, a partir das 6h de Brasília. Mas seu desempenho passou longe de impressionar. O brasileiro somou 80,598 pontos, antes 84,298 nesta mesma fase da Olimpíada. A diferença veio principalmente no cavalo com alças, onde perdeu três pontos. Se repetir o desempenho de Tóquio na final, Caio deve terminar o Mundial entre os cinco primeiros.

Diferente do companheiro, Arthur Nory se apresentou apenas na barra fixa, prova em que é o atual campeão mundial, mas não foi bem. Recebeu nota 13,200 e ficou a um ponto da final, em vigésimo lugar. Como comparação, essa nota valeria um modesto 39º lugar em Tóquio.

No feminino, que teve eliminatórias na segunda e na terça, Rebeca Andrade vai fazer três finais por aparelhos, nos três aparelhos em que competiu. Por decisão da comissão técnica, ela não se apresentou no solo, apesar de precisar de uma nota baixíssima neste aparelho para somar pontos suficientes para uma final do individual geral, tanto que sobrou no salto e nas assimétricas, principalmente.

No salto, Rebeca foi à final com média 14,800, ante 14,350 da holandesa Elisabeth Geurts, segunda colocada. Essa final será às 4h45 de sábado. Depois, às 6h25, a brasileira é favorita nas barras assimétricas, aparelho em que tirou 15,100 nas eliminatórias. A segunda colocada, a chinesa chinesa Wei, fez 14,733. A nota de Rebeca no Mundial, aliás, aumentou o debate internacional se ela não foi subjugada nas assimétricas na Olimpíada, perdendo o ouro por isso.

No domingo, às 5h, Rebeca faz final da trave, mas com menor chance de pódio. Ela passou com 13,400 e a última vaga para a decisão. Se repetir os 13,733 das eliminatórias da Olimpíada, porém, pode entrar na briga.

O baixo nível técnico do Mundial acabou expondo a decisão da comissão técnica do Brasil de deixar de fora atletas mais jovens. No solo, Julia Soares foi campeã brasileira há três semanas com 13,600, nota que a classificaria para a final do Mundial em quinto. As notas do Brasileiro de Lorrane Oliveira nas assimétricas e de Josiany Silva na trave também valeriam final no Mundial.