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COI pede desculpas e tira do ar vídeo nazista sobre a Olimpíada

Pessoas presentes no Estádio Olímpico de Berlim fazem a saudação nazista durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1936 - Schirner Sportfoto/picture alliance via Getty Images
Pessoas presentes no Estádio Olímpico de Berlim fazem a saudação nazista durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1936 Imagem: Schirner Sportfoto/picture alliance via Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/07/2020 15h35

O Comitê Olímpico Internacional (COI) pediu desculpas e tirou do ar um vídeo utilizado como peça de propaganda nazista referente aos Jogos Olímpicos de Berlim, realizados em 1936. O vídeo havia sido publicado ontem (23) na conta do COI no Twitter.

Em celebração ao marco de um anos para a Olimpíada de Tóquio, o COI publicou uma série de vídeos mostrando o acendimento da pira olímpica de edições antigas dos Jogos de Verão, desde Atenas até o Rio. Para os Jogos de Berlim foi escolhido um trecho do documentário Olympia, da cineasta Leni Riefenstahl.

O documentário é controverso. Ao mesmo tempo em que é considerado um clássico do cinema, com técnicas de gravação avançadíssimas para a época, o filme é também tratado como uma peça de propaganda nazista, como aquela edição dos Jogos de forma geral. O atleta escolhido para acender a pira, por exemplo, não participou da Olimpíada e foi selecionado por ser ariano.

Publicado pelo COI, o vídeo foi criticado. "Por duas semanas, a ditadura nazista camuflou seu caráter racista e militarista. O nazismo explorou os Jogos para impressionar espectadores estrangeiros com a imagem de uma Alemanha pacífica e tolerante. Mais tarde, o expansionismo da Alemanha, a perseguição a judeus e outros 'inimigos do Estado' aumentou", escreveu o perfil do Memorial de Auschwitz, retuitando a publicação do COI.

O comitê, horas depois, pediu desculpas. Disse que entende que as redes sociais tenham interpretado o vídeo de forma diferente do propósito original da postagem, que era celebrar a mensagem de união e solidariedade. "Pedimos desculpas àqueles que se sentem ofendidos pelo filme dos Jogos Olímpicos de Berlim-1936. Excluímos do Twitter este filme, que fazia parte da série de filmes que apresentavam a mensagem de unidade e solidariedade", comentou o COI.