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Flávio Canto garante vale para 2 mil famílias carentes, mas quer muito mais

Flávio Canto - Estevam Avellar/Globo
Flávio Canto Imagem: Estevam Avellar/Globo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/04/2020 12h00

Criador de um dos mais reconhecidos projetos sociais do país, Flávio Canto conhece bem a realidade das comunidades carentes do Rio de Janeiro. O Instituto Reação, que recentemente abriu uma sede em Cuiabá (MT), atende 2 mil crianças e adolescentes que há três semanas estão sem atendimento. O primeiro passo foi assegurar que elas continuassem tendo aulas de judô, mesmo online. O segundo, oferecer o equivalente a uma cesta básica a cada uma dessas famílias. O terceiro e próximo passo é expandir o projeto.

Eu estou de quarentena já faz mais de duas semanas, mas um dia eu acordei bem para baixo, com febre, bem chateado. Pensei: 'Se eu tô assim, eu que me acho forte, imagina como deve estar para tanta gente que não tem espaço", conta Flávio Canto. Foi daí que surgiu a campanha Ippon no Corona.

A ideia inicial era garantir uma cesta básica para cada uma das 2 mil famílias atendidas pelo Reação. Mas a meta foi rapidamente atingida, com duas grandes doações. Primeiro a organização social Gerando Falcões garantiu R$ 100 por mês, por três meses, para cada uma das 600 famílias de jovens da Rocinha, onde fica a sede do Reação. Depois, o banco BV, patrocinador responsável pela expansão para Cuiabá, garantiu os R$ 420 mil necessários para ajudar as outras 1.400 famílias.

O dinheiro vai chegar às famílias por meio de cartões da empresa Ticket. "Diminui o risco porque o cartão vale por três vezes, mas só precisa entregar uma vez. A logística é muito mais leve e ainda fomenta o mercado local. O cara pode comprar do mercadinho. E a gente estava encontrando muita dificuldade de comprar cesta básica fechada, porque um não está sem estoque de arroz, outro sal...", explica. Os vales devem ser distribuídos ao longo da próxima semana.

Essa foi, segundo Flávio, a "primeira onda". A próxima já está se formando. Flávio quer juntar outros atletas que lideram projetos sociais para lançar uma campanha ainda maior. "Em duas ligações eu consegui R$ 600 mil para ajudar 2 mil famílias. Imagina o quanto a gente não pode conseguir se a gente se unir", vislumbra.

Mesmo com a primeira meta já alcançada, segue no ar o site da campanha (que você pode acessar aqui), onde pessoas físicas podem fazer suas doações, que estavam em R$ 44 mil quando esta reportagem foi escrita. Cada R$ 100 é equivalente a uma cesta básica. Famílias precisando das cestas básicas não faltam. "A gente tem como fazer parceria com ONG que tem famílias cadastradas, já estamos falando com elas. A gente precisa usar nossa força. Muita gente quer doar, mas tem que confiar. Elas sabem que a gente vai entregar para quem precisa".

Olhar Olímpico