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Maior campeão paralímpico da bocha morre aos 39 anos em SP

Dirceu Pinto, quatro vezes medalhista de ouro paraolímpico - Alaor Filho/MPIX/CPB
Dirceu Pinto, quatro vezes medalhista de ouro paraolímpico Imagem: Alaor Filho/MPIX/CPB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

01/04/2020 18h37

Faleceu nesta quarta-feira (1) na cidade de Mogi das Cruzes (SP) o quatro vezes campeão paralímpico de bocha Dirceu Pinto. Maior atleta da história da modalidade, ele sofreu um infarto e a família descarta qualquer relação com a Covid-19. "Perdemos nosso maior ídolo", escreveu o site da seleção de bocha, modalidade administrada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE).

Nascido na cidade de Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, Dirceu descobriu aos 12 anos que tinha distrofia muscular de cintura e, ainda na adolescência, passou a utilizar cadeira de rodas. Conheceu a bocha adaptada aos 22 anos, em 2002, e no ano seguinte já ganhava a medalha de prata nos Jogos Parapan-Americanos.

Ele chegou a se afastar do esporte em 2005, quando foi reclassificado como não elegível para a bocha adaptada, diante da evolução do seu quadro de saúde. Dirceu então tomou decisão polêmica: optou por deixar de frequentar a fisioterapia para que sua doença regredisse e ele pudesse voltar a jogar bocha.

De volta em 2007, ganhou duas medalhas de ouro na Paralimpíada de Pequim, no individual e em duplas, repetindo a dose em 2012, em Londres. Em 2016, no Rio, faturou mais uma prata, nas duplas. Em 2010, foi campeão mundial na classe BC4, para atletas cadeirantes que não recebem assistência durante as partidas.

Portador de uma doença degenerativa, foi perdendo sua capacidade ao longo dos anos. Em 2018, conquistou seu último título, o Regional Sudeste de Bocha em 2018. Em 2019 ele deixou de fazer parte da seleção brasileira, mas continuou competindo pelo seu clube, de Mogi das Cruzes, cidade onde coordenava o projeto "Mogi Paraolímpico", que atende 500 pessoas com deficiência.

De acordo com a família, Dirceu foi internado às 6h da manhã depois de sofrer um infarto em casa e faleceu no meio da tarde por insuficiência cardíaca. O corpo dele será velado na manhã de quinta-feira, apenas por familiares e amigos próximos.