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Na Grade do MMA

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Anderson Silva se torna peça importante para o entretenimento esportivo americano

Anderson Silva luta com Julio Cesar Chavez - Manuel Velasquez/Getty Images
Anderson Silva luta com Julio Cesar Chavez Imagem: Manuel Velasquez/Getty Images
Diego Ribas

Jornalista que cobre MMA há mais de uma década, sócio da Ag Fight e fã de esportes de combate. Morando em Las Vegas desde 2014, segue de perto os bastidores do UFC.

Colunista do UOL

21/05/2022 04h00

Em mais de 20 anos dedicados ao MMA, Anderson Silva conquistou fama e fortuna através do esporte no qual chegou a ser apontado como o melhor de todos os tempos enquanto ainda competia. Agora, com a atenção voltada ao boxe, Spider parece ter adotado um papel quase que impossível nos seus tempos de UFC: o de coadjuvante.

Hoje (21), Anderson mede forças com o compatriota Bruno 'Caveira' em luta de exibição a ser realizada em um luxuoso hotel em Abu Dhabi. No entanto, o show será liderado por Floyd Mayweather, ex-campeão mundial em diversas categorias que, no auge da carreira, quebrou todos os recordes de vendas de pay-per-view nos EUA. O fato do brasileiro não liderar o card é justo e mais do que compreensível, mas merece uma análise.

Lenda viva das artes marciais mistas, Anderson, aos 47 anos, ainda atrai a atenção de legião de fãs para seus combates, especialmente no Brasil, país com mais de 200 milhões de habitantes. Por isso, assim que superou o ex-campeão mundial Julio César Chávez Jr. por pontos em junho do ano passado e comprovou seu elevado nível de competição nas regras da nobre arte, o atleta se tornou peça valiosa para os promotores de eventos que buscam explorar a procura pelo 'mix' entre boxe e MMA.

Ao contar com Anderson no card, o evento garante, automaticamente, o interesse e a atenção do público brasileiro como um todo e de boa parte da comunidade do MMA ao redor do mundo. Natural, então, que sua imagem seja bem utilizada em promoções dedicadas a combates que valorizem mais o show do que o mérito esportivo. Afinal, aos 47 anos, Anderson não busca mais nenhum cinturão, tanto que sua próxima luta será em caráter de exibição.

Em setembro do ano passado, por exemplo, o Spider encarou Tito Ortiz, outro ex-campeão do UFC que fazia sua estreia no pugilismo. O americano, no entanto, nunca teve na troca de golpes em pé a sua especialidade e, possivelmente por isso, tenha beijado a lona em pouco mais de um minuto de ação no ringue.

Naquela ocasião, a luta principal contou com o retorno de Evander Holyfield em duelo contra Vitor Belfort. Anderson cumpriu seu papel com maestria e, assim como o compatriota, levou a vitória para casa e garantiu interesse do público brasileiro em assistir ao show, que foi transmitido ao vivo no país e que contou com bons índices de audiência. Não por acaso, sua luta neste sábado já está confirmada na grade do Canal Combate.

Com este nível de competitividade e inserção midiática, não se assuste caso Anderson seja visto competindo por mais alguns anos, ainda mais em uma era em que youtubers como Jake Paul tomam para si o protagonismo desse tipo de show. A figura de Anderson Silva caiu como uma luva nos moldes atuais do entretenimento esportivo americano.