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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Encarar o Palmeiras em mata-mata: falta de sorte ou tremenda oportunidade?

Dudu, do Palmeiras, e Reinaldo, do São Paulo, disputam lance pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Dudu, do Palmeiras, e Reinaldo, do São Paulo, disputam lance pelo Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

21/06/2022 18h08

A derrota de virada nos acréscimos e dentro de casa deixou a torcedora e o torcedor do São Paulo entre a chateação e a fúria. A imagem do rapaz jogando fora a camisa é forte, mas apenas constata o momento pelo qual passam as torcidas: a paciência está baixíssima.

E a culpa não é exclusivamente dos times que são irregulares em suas atuações. A vida lá fora tá puxada, existimos cercadas e cercados de medos, cansaço, doenças, opressões. O futebol, enquanto válvula de escape, sente o tranco.

O São Paulo está longe de ser o time imbatível que um dia já foi, mas também está longe de ser um time ruim.

Foi, aliás, o único grande de São Paulo que venceu o Palmeiras esse ano. O time de Ceni tem seus defeitos, o treinador parece escalar bem e mexer mal, não há nenhum jogador que se destaque enormemente, ok, mas vejam o elenco do Palmeiras e, no mano-a-mano, me digam se é assim tão melhor do que o elenco de seus adversários.

Não é. Só que o Palmeiras é um time treinado à exaustão. Tudo ali se encaixou, o elenco muda e o time não perde a potência. Leva um gol e faz três na sequência. Sabe trabalhar em espaços pequenos quando precisa atacar e sabe trabalhar os grandes espaços quando precisa contra-atacar. Esse time está sendo construído há pouco mais de um ano pela comissão de Abel.

A força mental do elenco é um de seus pontos fortes. É isso o que faz jogadores como Zé Rafael, Rony, Piquerez, Murilo, Luan, Veron, Wesley e companhia se destacarem tecnicamente. Se confiança não é tudo, é quase tudo. Eu seria capaz de jurar que o Luan que está no Corinthians e até hoje nada fez pelos lados de Itaquera poderia brilhar na Barra Funda.

O Palmeiras é, hoje, um time que apavora seus adversários - e com razão.

Exatamente por isso, eliminá-lo da Copa do Brasil poderia ser definidor para fazer nascer um São Paulo vencedor. O elenco ganharia confiança, a torcida ganharia esperança.

É, ao mesmo tempo, uma tremenda falta de sorte e uma tremenda oportunidade encarar o Palmeiras num mata-mata nesse momento da história.

Quem sabe o atual elenco tricolor - que está longe de ser ruim - não comece a se encontrar na conquista de uma eliminação palmeirense que, por ser improvável, pode acabar se tornando heroica e histórica.